–:–:–
Conecte-se conosco

Homem acha cratera de 390 milhões de anos no Google Maps

Formação circular de 15 quilômetros foi avistada durante busca por um local de acampamento no Canadá.

31 visualizações
Google Maps ajuda homem a encontrar cratera de 390 milhões de anos

O canadense Joël Lapointe vasculhava o Google Maps em busca de um lugar para acampar em Quebec quando se deparou com uma formação circular intrigante. O desenho, de cerca de 15 quilômetros, contornava o Lago Marsal e chamou sua atenção.

Investigação científica A observação levou Lapointe a procurar cientistas para descobrir a origem da estrutura. A investigação encontrou evidências de que ela corresponde ao que restou de um impacto ocorrido há aproximadamente 390 milhões de anos.

O geofísico Pierre Rochette, do Centro de Geociências, Pesquisa e Ensino (CEREGE), na França, decidiu investigar a formação. Ao analisar a topografia, considerou que ela poderia ter origem em um impacto.

“Observando a topografia, ela é muito sugestiva de um impacto”, afirmou Rochette à CBC em 2024.

Trabalho de campo A região havia sido interpretada anteriormente como uma formação vulcanoclástica. Com novos estudos, porém, os pesquisadores consideraram que as rochas poderiam corresponder ao material derretido no fundo de uma antiga cratera.

A hipótese ainda precisava de uma confirmação em campo. Por isso, Gordon Osinski, geólogo planetário da Western University e diretor do banco de dados Impact Earth, participou de uma expedição organizada pelo CEREGE.

Cones de estilhaçamento A equipe chegou ao Lago Marsal em um hidroavião e encontrou os chamados cones de estilhaçamento. Essas estruturas cônicas aparecem nas rochas quando ondas de choque provocadas por um impacto atravessam o material.

Para Osinski, esse é um sinal especialmente importante porque os cones de estilhaçamento são a única evidência inequívoca de um evento de impacto que pode ser identificada a olho nu no campo.

Consequências globais A análise das amostras indicou que o impacto ocorreu há aproximadamente 390 milhões de anos. A dimensão do evento também ajuda a entender por que a descoberta chamou a atenção dos pesquisadores.

Segundo Osinski, se um impacto semelhante acontecesse atualmente, as consequências seriam muito maiores do que as provocadas por um fenômeno localizado: grandes cidades poderiam ser atingidas, haveria devastação em escala regional, o evento teria efeitos sobre o clima global e as ondas de choque provocariam alterações nas rochas.

Batismo e reconhecimento Os pesquisadores deram à estrutura o nome de Uhackatik após conversarem com integrantes do povo Ekuanitshit Innu. A confirmação formal como estrutura de impacto ainda depende da avaliação do comitê da Meteoritical Society em sua próxima reunião.

Lapointe também deixou uma mensagem sobre a própria descoberta. Ao Radio-Canada, afirmou: “Incentivo todos a não ignorarem a intuição ou uma observação, mesmo que não faça parte da sua área de especialização.”

O caso mostra como uma formação que parecia apenas uma característica curiosa no mapa pode levar a uma investigação científica. E a Terra ainda pode esconder outras estruturas de impacto à espera de serem reconhecidas.

Mais em Tecnologia

Ver tudo →