A facilidade de transações em aplicativos e jogos gerou um novo desafio econômico nos lares brasileiros, com 32% dos pais relatando que os filhos já realizaram aquisições digitais sem permissão. Conforme levantamento da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box para o Dia das Crianças, em 60% dessas situações o valor alcançou a marca de R$ 100.
Impacto das redes sociais no consumo
O problema vai além do acesso direto ao pagamento, visto que 53% dos responsáveis apontam que as redes sociais estimulam o desejo de consumo dos menores. O estudo indica que 60% das crianças e adolescentes já utilizam essas ferramentas, sendo que 31% contam com perfil próprio. O cenário reflete a transformação digital, onde a publicidade se mescla ao entretenimento em vídeos de influenciadores, jogos e conteúdos patrocinados, tudo acessível em poucos cliques.
“Por isso, é importante que os pais ajudem as crianças e adolescentes a reconhecerem conteúdos publicitários e refletirem sobre os desejos despertados nessas redes. Compras em aplicativos e jogos também devem acontecer somente com o conhecimento e a autorização dos responsáveis”, afirma Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira.
Conectividade e novas regras legais
Esse panorama de exposição ocorre em um país onde 93% dos jovens entre 9 e 17 anos acessam a rede, o equivalente a 25 milhões de pessoas, segundo dados do TIC Kids Online Brasil 2025 do CGI.br. Além disso, 81% dos usuários entre 11 e 17 anos relatam contato com marcas e publicidade online. Diante desse cenário, o Código de Defesa do Consumidor e a Lei 15.211/2025, conhecida como ECA Digital, estabeleceram diretrizes rígidas, incluindo a proibição do uso de perfilamento para direcionar anúncios comerciais a esse público.
Participação familiar e educação financeira
Em contraponto à exposição comercial desregulada, 75% dos pais afirmam que os filhos participam de alguma forma das decisões financeiras do lar, principalmente em compras de supermercado, contas básicas e despesas escolares. Para 72% dos entrevistados, a própria família funciona como a principal mentora sobre dinheiro, processo que em 33% dos casos começa antes dos seis anos de idade.
“Quando os pais tomam a iniciativa de conversar sobre dinheiro, também estão ensinando sobre escolhas e responsabilidades. A família tem um papel importante nesse processo, criando oportunidades para que as crianças entendam o mundo financeiro de maneira gradual”, afirma Aline Vieira.
Apesar disso, os adultos ainda encontram barreiras para abordar temas complexos: investimentos lideram as dificuldades com 28%, seguidos por dívidas, juros, golpes e fraudes, ambos com 21%. Para auxiliar nessa missão, especialistas recomendam o uso de situações cotidianas para debater planejamento, poupança e distinção entre desejos e necessidades.
“É preciso explicar que compras em jogos, aplicativos e plataformas têm impacto real no orçamento, por isso é preciso ter autorização de um adulto antes da compra. Também devem ser adotados controles parentais, senhas e mecanismos de confirmação”, disse Itamar Vodzicki, gerente do Cresol Instituto.








