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Fundos da China financiam compra de chips de IA restritos da Nvidia

Registros revelam que entidades estatais viabilizaram servidores com tecnologia avançada ignorando sanções dos Estados Unidos.

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Fundos estatais chineses financiaram compra de chips de IA da Nvidia restritos

Uma instituição financeira com respaldo do governo da China viabilizou a aquisição de servidores equipados com processadores de inteligência artificial da Nvidia que sofrem com embargos comerciais impostos pelos Estados Unidos. A revelação veio à tona por meio de documentos regulatórios do país asiático, detalhando como o capital estatal sustenta o avanço tecnológico chinês.

O papel do Semi-Tech Leasing Group O crédito foi disponibilizado pelo Semi-Tech Leasing Group Co., permitindo que a Glory View Technology Co., firma focada em infraestrutura digital, comprasse mais de 700 servidores no total.

Entre os itens financiados destaca-se um grupo de 32 servidores produzidos pela Asus que contam com os chips B300 Blackwell da Nvidia. Os dados dessa transação financeira foram localizados em arquivos oficiais enviados ao Banco do Povo da China.

Investigação internacional e posicionamento das marcas Apesar de o volume de processadores Blackwell citados nos documentos ser modesto, o episódio expõe falhas nas barreiras comerciais norte-americanas desenhadas para barrar o avanço computacional chinês.

Diante da repercussão, a Nvidia declarou que apura o ocorrido junto aos fabricantes envolvidos. Por sua vez, a Asus destacou que segue rigorosamente as leis globais de controle de exportação.

Participação do governo e destino dos equipamentos A Semi-Tech Leasing nasceu com o respaldo do fundo nacional voltado a semicondutores e hoje tem controle majoritário de prefeituras de Pequim e Shenzhen. A organização já injetou mais de 11 bilhões de yuans — cerca de R$ 8,6 bilhões — no setor de computação.

Utilizando estratégias de venda e arrendamento mercantil, a companhia repassou mais de 3 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 2,4 bilhões) para a Glory View expandir seus centros de dados. Boa parte dos hardwares foi direcionada a um polo computacional da China Mobile Ltd. localizado em Ningxia, zona estratégica para os planos de IA de Pequim.

Ocultação de dados nos registros Os arquivos oficiais revelam ainda que a Semi-Tech Leasing modificou suas declarações de crédito após sofrer uma primeira rodada de fiscalização.

Nas edições enviadas posteriormente aos órgãos reguladores locais, detalhes técnicos, marcas fornecedoras e especificações dos modelos de servidores foram ocultados. Essa manobra encobre a cadeia logística em um período de forte crescimento da infraestrutura tecnológica na China.

O episódio ilustra como estratégias complexas de crédito e locação de maquinário abrem rotas alternativas para burlar embargos internacionais e garantir o acesso a hardwares de ponta.

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