O governo russo enviou um documento formal à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no qual ameaça recorrer a seu arsenal atômico caso a aliança militar tente cortar a comunicação ou o acesso ao território de Kaliningrado, enclave estratégico localizado entre a Polônia e a Lituânia.
A escalada de tensões no Mar Báltico No texto diplomático informal, conhecido como “non-paper”, Moscou classificou as movimentações ocidentais na região como um caminho perigoso e imprudente, apontando que a situação apresenta altos riscos de eclodir um conflito armado direto. A correspondência detalha ainda a possibilidade de ataques russos contra centros de tomada de decisão nos países membros da aliança logo no início do conflito.
Embaixadas russas em território europeu reforçaram o tom de alerta nos últimos dias, acusando os aliados ocidentais de elevarem as hostilidades por meio de treinamentos militares voltados para cenários envolvendo o enclave. Apesar das advertências sobre o uso de força atômica, o governo russo negou publicamente planos de invasão contra nações da aliança, mas frisou que qualquer investida contra o território fortificado gerará uma retaliação severa.
Reação da aliança ocidental e o cenário geopolítico Do outro lado, autoridades europeias e representantes da coalizão militar reagiram com firmeza às declarações vindas de Moscou. A porta-voz da Otan, Allison Hart, confirmou o recebimento da mensagem diplomática e repudiou a postura do Kremlin.
“Enviamos uma resposta, ressaltando que a Otan é uma aliança defensiva e que nenhuma de nossas atividades ou exercícios representa risco para qualquer parte da Rússia. Condenamos veementemente a ameaça de uso da força, incluindo qualquer retórica nuclear irresponsável. Exortamos a Rússia a pôr fim à sua guerra não provocada na Ucrânia”, afirmou ela.
Enquanto lideranças do bloco veem o comunicado como uma tática de intimidação para enfraquecer o apoio militar à Ucrânia, analistas de defesa classificam o episódio como um marco perigoso nas relações internacionais contemporâneas. Uma autoridade europeia de alto escalão da área de defesa disse: “(Esta é a) primeira vez desde (a) Guerra Fria que a Rússia nos ameaça dessa forma. Portanto, isso é grave”.
Por fim, a diplomacia ocidental reforçou que a retórica bélica não alterará o posicionamento estratégico dos países aliados diante do conflito no leste europeu. Um diplomata da Otan disse: “Eu diria que a carta russa é apenas mais uma tentativa da Rússia de intimidar os europeus, e que a resposta da Otan é firme e responsável. (Ela) reafirma que não seremos dissuadidos de apoiar a Ucrânia”.








