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Quem vencer a eleição vai herdar economia no limite, alerta especialista

Juros altos, dívida em alta e orçamento engessado marcam o cenário financeiro que o próximo chefe do Executivo terá de administrar.

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Próximo presidente receberá país “vivendo acima dos seus meios”, diz economista

O futuro ocupante do Palácio do Planalto assumirá o comando de um país com o mercado de trabalho aquecido e desemprego em mínimos históricos, mas esbarra em barreiras fiscais severas. O diagnóstico aponta para um cenário de juros elevados, dívida pública em expansão e margem reduzida no Orçamento para tirar novas iniciativas do papel a partir de janeiro.

O panorama do mercado de trabalho

Apesar do lado positivo representado pelo nível de ocupação da população, que surpreendeu analistas, o país convive com uma capacidade limitada de expansão. Sem margem ampla para crescer sem alimentar a inflação, o ambiente impõe fortes restrições à gestão que assumirá o poder.

“Este é o nosso grande desafio e vai começar no dia seguinte ao resultado da eleição, se vai ser agora domingo ou no segundo turno, nós vamos ver”, disse Josilmar Cordenonssi, professor de Ciências Econômicas da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ele definiu a situação atual como a de um país “vivendo acima dos seus meios”.

O docente comparou a dinâmica financeira nacional ao cotidiano doméstico: “É como se fosse uma família, apesar de muita gente não gostar de comparar o país com uma família, mas é um país que está se endividando para comer em restaurante, para ir para o cinema. Uma alta essa conta vai chegar”.

Orçamento engessado e espaço mínimo para investimentos

O planejamento financeiro para 2027 enviado ao Congresso prevê despesas primárias multibilionárias nas quais mais de 92% dos recursos já estão comprometidos. Do montante restante, que abrange despesas discricionárias e emendas, a fatia sob controle efetivo do presidente será extremamente reduzida.

Cordenonssi calcula que a parcela livre para o chefe do Executivo decidir onde aplicar verbas ficará em torno de 5%. “É uma questão ínfima. E isso sem contar que é daí que também se tira investimento”, pontuou, ressaltando a necessidade de buscar parcerias privadas para obras de infraestrutura.

Caminhos para o ajuste fiscal e os juros

Para contornar o problema dos juros altos, a gestão seguinte não precisará adotar um choque fiscal imediato no primeiro ano, mas precisará demonstrar confiabilidade aos mercados. O especialista defende a apresentação de uma trajetória clara para estabilizar a dívida pública ao longo do tempo.

“Não digo fazer um ajuste exatamente no ano que vem, déficit zero no ano que vem. Déficit primário é até possível e necessário”, afirmou, mencionando a urgência de um “freio de arrumação”.

As soluções impopulares, contudo, ficaram ausentes dos discursos de campanha dos principais candidatos, segundo a análise. Enquanto propostas evitam detalhar cortes profundos ou preservam gastos sociais sem apontar fontes de financiamento, a realidade econômica cobrará ações concretas após o pleito.

“O Lula é mais ou menos fazer o ajuste fiscal sem cortar gastos sociais, no resumo. O Flávio tem o símbolo ‘tesouraço’, fazer um corte do que não fala onde que vai cortar”, avaliou.

Por fim, o economista reforça que o sacrifício financeiro é indispensável para destravar a queda dos juros a médio e longo prazo. “O sacrifício de hoje vai abrir espaço para a taxa de juros cair”, concluiu. “A taxa de juros não cai sem fazer nenhuma redução de gasto, pelo menos ao longo do tempo.”

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