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Rotatória demarcada com cones muda trânsito e levanta dúvidas em Paranaguá

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Rotatória demarcada com cones muda trânsito e levanta dúvidas em Paranaguá

Uma mudança temporária no trânsito chamou a atenção e levantou questionamentos em Paranaguá. No último dia 21, cones passaram a delimitar uma mini rotatória no cruzamento das ruas dos Expedicionários e José Gomes, alterando a circulação em um ponto considerado de risco pela Prefeitura.

Segundo a Administração Municipal, a identificação do local ocorreu a partir do monitoramento realizado nos últimos meses pelo programa Paranaguá Mobilidade. O teste deve servir para avaliar se a nova configuração contribui para reduzir a velocidade dos veículos e melhorar a fluidez do tráfego.

Não foram apontados novos cruzamentos em que os testes podem ocorrer. Foto: Wilson Leandro/Prefeitura de Paranaguá

O resultado, porém, dependerá não apenas do desenho adotado, mas como motoristas, ciclistas e pedestres irão se adaptar, conforme ressaltou o especialista entrevistado pelo JB Litoral.

Para o professor Roberto Gregório de Silva Júnior, do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a mini rotatória pode ser uma alternativa de rápida implantação para aumentar a segurança viária.

“São muito utilizadas, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, como uma solução de baixo custo, o que é importante quando a gente fala de gestão pública, e de fácil implantação”, disse.

PARA SER EFICAZ, TODOS PRECISAM ENTENDER COMO FUNCIONA

O docente também chamou a atenção para a necessidade de preservar a circulação de pedestres, especialmente diante das condições das faixas de travessia no entorno, que devem estar bem-sinalizadas, e a importância de os motoristas compreenderem como funciona o fluxo.

“Porque rotatória, normalmente, é uma coisa meio confusa. Esse é um ponto que tem que ser preservado para garantir a prioridade ao pedestre. As rotatórias ‘definitivas’ são pintadas no chão ou têm uma pequena elevação. Muitas vezes, veículos de maior porte tem dificuldade para fazer a curva. Só vão funcionar também se a população entender como elas devem ser utilizadas. Se forem mal utilizadas, isso vai gerar problema”, concluiu Roberto.

Cones foram colocados de forma provisória para simular uma rotatória no local. Foto: Wilson Leandro/Prefeitura de Paranaguá

POR QUE TESTAR ANTES DE MUDAR?

O JB Litoral procurou o engenheiro e coordenador técnico da Paranaguá Mobilidade, Andres Silva, para entender os motivos da possível implantação. Segundo ele, a medida foi pensada para reduzir a gravidade de eventuais acidentes.[U1] 

“O ideal seria a partir de 36 meses para termos dados mais consistentes, pois a cidade não tinha um banco de dados bem elaborado sobre os acidentes. Precisamos estruturar melhor isso para começar um programa de segurança mais embasado. Consideramos o local como de risco. Tem outros que são até mais perigosos, com velocidade maior. Mas este é um ponto que a gente consegue realizar melhor o teste”, defendeu.

A decisão sobre a colocação ou não das rotatórias será tomada em uma próxima etapa. “Temos diversos pontos para iniciar os testes. Mas, por enquanto, estamos coletando informações de velocidade para entender qual seria o mais crítico para agir primeiro”, disse.

O engenheiro destacou, ainda, que a empresa desenvolve levantamentos solicitados pela Superintendência Municipal de Trânsito de Paranaguá (SUMTRAN) para subsidiar decisões do município e atender a pedidos de vereadores, como os de instalação de lombadas.

Entre os comportamentos identificados em Paranaguá como situação de risco está a realização de conversões à esquerda em pontos sem estrutura específica. “É comum na cidade os motoristas fazerem conversões à esquerda em qualquer ponto, sem segurança. É uma situação de risco que é analisada desde o início”, ressaltou Andres.

CONTRATO FOI PRORROGADO E REAJUSTADO


Além de produzir estudos e diagnósticos para subsidiar decisões sobre a mobilidade, o contrato com o Consórcio Engex–Arts, responsável pelo programa Paranaguá Mobilidade, prevê suporte técnico e operacional à gestão do trânsito, com profissionais, equipamentos para monitoramento, organização do fluxo, sinalização, atendimento a ocorrências, guincho e apoio em operações especiais. A aplicação de multas e demais atos de fiscalização, porém, permanecem sob responsabilidade do poder público.

Empresa foi contratada para realizar o serviço de engenharia de trânsito no município em agosto do ano passado. Foto: Wilson Leandro/Prefeitura de Paranaguá

A contratação inicial teve vigência de 20 de agosto de 2025 a 19 de agosto de 2026, pelo valor de R$ 7,2 milhões (R$ 7.228.129,44), o equivalente a cerca de R$ 602 mil por mês (R$ 602.344,12) e foi prorrogado por meio da assinatura de um aditivo de contrato.

Com a extensão da contratação do Consórcio Engex–Arts até 19 de agosto de 2027, a empresa vai receber mais pelo serviço do que no primeiro ano: R$ 7,7 milhões (RS 7.728.915,96). A alteração do valor, um acréscimo de R$ 500.786,52, foi a única modificação trazida pelo aditivo, que não alterou os serviços a serem prestados dentro do Paranaguá Mobilidade.

A partir do reajuste, a empresa passa a receber o equivalente a R$ 644 mil por mês.

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