A histórica operação da Gransol Terminais Marítimos S/A no Porto de Paranaguá atravessa um momento de instabilidade marcado por prazos não cumpridos, maquinário em vias públicas e documentação vencida. Após cinco décadas de atuação utilizando silos públicos e estruturas de multinacionais, a empresa teve seu controle transferido para a QG Operações Portuárias S.A., holding da gestora paulista Quadra Capital.
A mudança societária ocorreu com o aval da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) em outubro de 2025, período em que as intervenções de ampliação do terminal e das correias transportadoras já se encontravam paralisadas.
Cronologia de um projeto bilionário
O projeto de expansão teve início formal em 2014, com a assinatura do Contrato de Passagem nº 007/2014 junto à antiga Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA). O acordo concedeu uma área de 1.645 m² no Porto Organizado para a instalação de infraestrutura de transporte de granéis vegetais por 25 anos, prorrogáveis por igual período.
A proposta inicial previa três silos de 25 mil toneladas e correias transportadoras com capacidade de 4 mil toneladas por hora, representando um salto significativo na movimentação do terminal. O investimento estimado, que começou em R$ 110 milhões, saltou para R$ 280 milhões quando a Prefeitura de Paranaguá liberou o alvará de construção em junho de 2021. No entanto, uma série de quatro termos aditivos alterou prazos e obrigações ao longo dos anos, culminando em atrasos recorrentes.
Obras avançadas, mas com entraves urbanos
Atualmente, as estruturas principais alcançam cerca de 90% de conclusão, com silos finalizados e galerias avançadas. Apesar disso, questões financeiras motivaram a venda do negócio e o alvará emitido em 2021, válido por dois anos, encontra-se vencido desde junho de 2023.
A retomada recente dos trabalhos gerou transtornos fora da poligonal portuária. Máquinas e materiais ocupam trechos como a Rua Manoel Bonifácio com a Barão do Rio Branco para a ligação das correias, mesmo sem a aprovação definitiva dessa etapa do projeto.
Posicionamento das autoridades
Em nota oficial, a Portos do Paraná esclareceu que a Antaq autorizou a transferência e que, “a partir da transferência, o órgão anuente estabeleceu novo cronograma para o cumprimento de pendências. Dessa forma, a contar de março de 2026, a nova titular terá até 300 dias para concluir a implantação do projeto dentro da poligonal portuária. Quanto ao início das operações, compete à empresa responsável pelo terminal privado informar. Sobre equipamentos em áreas públicas — portanto, fora da poligonal portuária —, cabe aos órgãos competentes tomar as medidas necessárias”.
Por sua vez, a Prefeitura de Paranaguá declarou acompanhar o caso por meio de diálogo com a nova gestora.
“Existem notificações referentes à obra, incluindo aspectos relacionados ao Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), às medidas compensatórias e aos projetos vinculados ao empreendimento. Durante o período de execução da obra, foram identificadas situações que resultaram em notificações por parte do Município. Algumas dessas questões foram sanadas, enquanto outras permanecem em acompanhamento. Neste momento, a Prefeitura está em fase de diálogo e entendimento com a empresa que assumiu o empreendimento, buscando os encaminhamentos necessários para as adequações e o cumprimento das obrigações pertinentes”, pontuou a administração municipal.








