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Cientistas alertam contra riscos de interferência estrangeira nas eleições

Entidades apontam pressões externas e defendem autonomia total do voto popular diante de documento reservado da Abin.

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Comunidade científica alerta para risco de interferência nas eleições

As principais entidades científicas do país uniram-se para expressar forte preocupação com a possibilidade de pressões externas no pleito deste ano. O principal temor recui sobre a chance de ações que comprometam a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação de vontade dos eleitores, especialmente por parte do governo dos Estados Unidos.

Relatório da Abin e posicionamento científico

Um documento elaborado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no final de agosto já havia acendido o sinal amarelo ao apontar riscos reais de influência norte-americana no processo político brasileiro. Diante desse cenário, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) exigiram uma mobilização nacional para blindar as urnas.

As instituições reforçaram o apoio a uma iniciativa do Instituto Vladimir Herzog, que levou a pauta à Organização das Nações Unidas (ONU) para requerer respaldo internacional rápido ao resultado oficial das urnas, independentemente de quem saia vitorioso na disputa.

O papel do Brasil no cenário internacional

O tema também ganhou forte repercussão na Assembleia Geral das Nações Unidas. Durante seu discurso no dia 22 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou manobras neocoloniais e tentativas de ingerência externa em nações da América Latina e do Caribe.

“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, declarou o mandatário ao citar episódios recentes em países como Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.

Convocação da sociedade e regras do pleito

Para mitigar vulnerabilidades, as entidades científicas sublinharam que a proteção da democracia passa por combater a manipulação digital e preservar a integridade da informação. A nota oficial ressalta que “a escolha dos governantes brasileiros pertence exclusivamente ao povo brasileiro. Nenhum Estado, governo, poder econômico ou ator externo deve buscar condicionar essa decisão, seja por pressões políticas ou econômicas, seja pela manipulação do ambiente informacional ou pelo uso indevido de tecnologias e plataformas digitais”.

O chamamento final é para que órgãos públicos, universidades, imprensa e cidadãos mantenham-se em alerta máximo. “Cabe a todos contribuir, em suas respectivas responsabilidades, para um ambiente público baseado em informação confiável, respeito às instituições, liberdade de escolha e rejeição a qualquer tentativa de interferência externa na vontade soberana da população brasileira.”

O pleito está agendado para o dia 4 de outubro, data em que os cidadãos elegerão deputados estaduais e distritais, deputados federais, senadores, governadores e o novo presidente da República.

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