A infraestrutura para inteligência artificial ganhou destaque nos programas de governo de importantes nomes da política nacional. Figuras como Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos concordam sobre a urgência de ampliar a capacidade computacional, embora apresentem visões distintas sobre o papel estatal, incentivos e regras ambientais.
Diferenças nas propostas dos candidatos
As estratégias variam conforme o grupo político. O plano de Lula vincula os servidores à autonomia tecnológica, sugerindo supercomputadores e serviços de nuvem controlados por instituições brasileiras, além de impor critérios rigorosos de eficiência energética e uso de recursos hídricos.
Por outro lado, Ronaldo Caiado condiciona benefícios tributários a metas socioambientais e tecnológicas. Já Flávio Bolsonaro e Romeu Zema focam na captação de recursos privados, priorizando energia acessível e desregulamentação para atrair as empresas.
Enquanto Renan Santos aposta em zonas econômicas voltadas à inovação, Augusto Cury enxerga a tecnologia como um pilar estratégico de Estado, embora sem detalhar medidas específicas para a instalação dessas estruturas físicas.
Desafios na busca por autonomia digital
Especialistas apontam que a simples multiplicação de servidores no território nacional não assegura autonomia. “Você pode ser um quintal para data centers de outros, que simplesmente vão absorver os seus recursos naturais e energéticos”, afirma Luca Belli, professor da Fundação Getulio Vargas.
Para o meio acadêmico, o ideal seria envolver universidades, centros de pesquisa e governos locais no processo. Além disso, existe uma forte dependência externa em relação a fornecedores de chips avançados e serviços de computação em nuvem, dominados por poucas corporações estrangeiras.
Impactos na infraestrutura e o avanço do Redata
O consumo massivo de eletricidade e água para refrigeração e funcionamento contínuo dessas instalações preocupa entidades de defesa do consumidor, como o Idec, que cobra rigor nas regras de localização e estudos de impacto.
Enquanto o debate político ocorre, o Congresso já movimenta pautas econômicas para o setor. O Senado aprovou recentemente o Redata, programa que concede isenções bilionárias de tributos como IPI, PIS/Cofins e imposto de importação para o setor, exigindo em contrapartida o uso de energia limpa e eficiência hídrica.
O cenário internacional também impõe desafios geopolíticos complexos para o país, dividindo atenções entre potências globais. Sobre esse aspecto, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, pontuou em entrevista à Folha de S.Paulo: “Os Estados Unidos ameaçam cessar o fornecimento a quem fizer negócios nessas áreas mais críticas com a China.”
Dessa forma, o futuro digital brasileiro depende não apenas do volume de investimentos atraídos, mas da capacidade de reter tecnologia, gerar empregos qualificados e proteger os recursos naturais essenciais para a população.








