Pela primeira vez, a capital paranaense integra a rota principal do Exercício Guardião Cibernético 8.0 (EGC), reconhecido como a maior iniciativa de defesa digital do Hemisfério Sul. Agendada para ocorrer entre os dias 21 e 25 de setembro, a capacitação mobiliza mais de 240 organizações em diferentes regiões do Brasil com o propósito de simular invasões virtuais e aprimorar protocolos de prevenção, detecção e mitigação de incidentes.
Integração multissetorial e forças de segurança
Na capital do estado, mais de 40 entidades marcam presença na programação, englobando companhias de infraestrutura crítica como energia, saneamento, telecomunicações e transportes, além de estabelecimentos de saúde, centros educacionais e corporações industriais. Companhias como Copel, Celepar, Ligga, Sanepar, Unimed Curitiba, Renault, Nissan, Viasoft e Copacol participam ao lado de universidades como UFPR, UTFPR e Senai, somadas ao Hospital Erasto Gaertner.
O aparato estadual de segurança também marca forte presença por meio da Secretaria de Segurança Pública do Paraná, que coordena forças como as polícias Civil, Militar, Penal e Científica, o Corpo de Bombeiros, o Ministério Público, a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral do Estado.
Simulações avançadas no Centro de Realidade Estendida
As atividades na capital acontecem nas instalações do Centro de Realidade Estendida, situado no câmpus local da PUCPR. O espaço de alta tecnologia é fruto do Projeto Córtex, iniciativa conjunta entre a universidade e o Instituto Synapse. O local dispõe de 18 salas imersivas, destacando-se a Arena Digital, dotada de uma cúpula de 14 metros e projeção em 360 graus para treinamentos táticos.
As dinâmicas dividem-se entre simulações virtuais, que reproduzem ameaças em ambientes isolados sem comprometer redes reais, e simulações construtivas, focadas em testar a tomada de decisões de lideranças corporativas e governamentais durante crises simuladas.
“A realização do Guardião Cibernético em Curitiba aproxima, em um mesmo ambiente, empresas, universidades, órgãos públicos e instituições de segurança que atuam em diferentes setores da sociedade. Essa diversidade é importante porque os desafios relacionados à segurança digital não estão restritos a uma única área. O exercício cria um espaço de integração para que essas organizações compartilhem experiências e conheçam diferentes formas de lidar com situações de crise cibernética”, explica Cid Vianna, diretor do Projeto Córtex.
Impacto nos negócios e inovação regional
A expansão da economia digital e o uso massivo de inteligência artificial tornaram a proteção de dados uma prioridade de mercado, elevando a cibersegurança ao patamar de pauta corporativa indispensável.
“A digitalização da economia tornou a cibersegurança uma questão estratégica para empresas de todos os setores. Quanto maior a dependência de dados, sistemas e inteligência artificial, maior também é a necessidade de proteção. Para o Paraná, desenvolver competências nessa área significa não apenas aumentar a segurança das organizações, mas também abrir espaço para inovação, novos negócios e investimentos”, afirma Georges Kalache Netto, CEO da Westwood Capital.
Autoridades militares reforçam que a preparação antecipada é o principal fator para mitigar danos em cenários de crise real. “A lógica é semelhante à de outros tipos de emergência: quanto mais preparada estiver a estrutura antes de um incidente, maior será a capacidade de resposta quando ele acontecer”, explica o general Barbosa, comandante de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro.
Parceria acadêmica e futuro da tecnologia
O envolvimento de instituições de ensino superior reforça a necessidade de formar mão de obra qualificada para suprir a escassez de especialistas no mercado de tecnologia e segurança da informação.
“O Guardião Cibernético está alinhado à necessidade de proteção das infraestruturas críticas do País, que envolvem setores como energia, telecomunicações, finanças, saúde e datacenters. A participação da PUCPR permite aproximar a academia de diferentes setores da sociedade e criar um ambiente de capacitação e troca de conhecimento sobre segurança cibernética”, afirma o professor Altair Santin, da Escola Politécnica da instituição.
O Projeto Córtex, responsável por viabilizar a infraestrutura do evento, conta com o respaldo do Governo do Paraná por meio da Seti e da Fundação Araucária, consolidando o estado como um polo de desenvolvimento em inteligência artificial, segurança digital e tecnologias quânticas.








