Quase trinta anos após o trágico falecimento da princesa Diana em um acidente de carro em Paris, o conde Earl Spencer voltou a polemizar ao rebater uma contestação oficial do Palácio de Buckingham. A discussão gira em torno de uma suposta conversa telefônica que ele manteve com o então príncipe Charles nos dias seguintes à tragédia de 1997, episódio que integra o livro “Swan Song: Diana, My Sister”, com lançamento previsto para a próxima semana.
A polêmica sobre o cortejo fúnebre
O atrito começou quando Spencer questionou a participação dos príncipes William e Harry — que na época tinham apenas 12 e 15 anos — no cortejo fúnebre da mãe. Segundo o autor da obra, Charles reagiu mal à ponderação e passou boa parte da ligação defendendo o senso de dever da coroa britânica.
O irmão da princesa relatou que aguardava uma postura mais compreensiva do monarca após o momento de irritação inicial. “Ele ficou furioso e reclamou por um tempo”, relatou. “E então he parou e pensei: ‘Agora, agora ele vai se recompor e dizer algo mais apropriado’. E então ele disse: ‘Vamos esquecê-la em breve’”, acrescentou.
A resposta da monarquia
Em uma rara manifestação pública sobre o teor de uma publicação literária, a instituição real alegou que o luto prolongado pode distorcer fatos e recordações do passado. “Embora não comentemos livros por uma questão de princípio, Sua Majestade está ciente de que a dor pelo luto fraternal pode obscurecer a razão, afetar o julgamento e alterar as lembranças de maneiras que outras pessoas não reconhecem, mesmo muitos anos depois de uma perda semelhante”, declarou o Palácio.
Diante da nota oficial, o conde foi enfático ao conversar com a imprensa e assegurou a veracidade absoluta de sua memória, destacando que raramente conversava com o cunhado por telefone. “Só tive duas conversas por telefone com o príncipe Charles em toda a minha vida. Eu estava hiperalerta ao que ele estava dizendo e essas são precisamente as palavras que ele disse, e prometo isso a você agora. Genuinamente, foi isso que ele disse. Não o ouço dizendo que não disse isso”, declarou ele.
Questionado se possuía provas materiais daquela troca de mensagens, Spencer argumentou que o impacto foi tão forte que ele imediatamente repetiu o ocorrido para amigos próximos e familiares. Ele também ironizou a nota emitida pela realeza: “Eles meio que deram uma disfarçada nisso, não deram? Disseram que as lembranças podem variar”, pontuou, reafirmando convicto: “Estou dizendo a verdade”.
O desfecho da ligação e o impacto nos príncipes
O conde recordou que, após ouvir a frase do monarca, ficou paralisado por alguns instantes antes de reagir. Após um breve silêncio, ele afirmou ter respondido: “Não acredito que você acabou de dizer isso”, encerrando a chamada em seguida.
Apesar da discordância familiar, William e Harry acabaram marchando no cortejo ao lado do pai e do tio. Anos mais tarde, o príncipe Harry relembrou o episódio traumático em entrevista concedida em 2017, avaliando que nenhuma criança “deveria ser obrigada a fazer” aquilo, embora tenha ponderado que, em retrospecto, sentiu-se orgulhoso por ter participado daquele momento histórico.








