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Da rejeição ao Nobel: a incrível jornada da tecnologia de RNA mensageiro

Criadores da técnica enfrentaram quatro décadas de ceticismo antes de salvar milhões de vidas na pandemia de Covid-19.

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Resumo do OD: o fracasso que virou Nobel; IApocalipse; carros hackeados e mais!

A trajetória da tecnologia de RNA mensageiro ilustra uma das maiores reviravoltas da história da saúde pública mundial. O achado científico responsável por salvar milhões de vidas enfrentou forte ceticismo inicial e esteve prestes a ser completamente abandonado.

A longa travessia até a consagração Na década de 1980, a bioquímica húngara Katalin Karikó percebeu o enorme potencial terapêutico da molécula, que atua como um gabarito genético temporário para orientar células na fabricação de proteínas. No entanto, a comunidade científica da época considerava a ideia inviável devido à suposta instabilidade do RNA sintético e ao risco de inflamações graves.

Inabalável, Karikó manteve suas pesquisas na Universidade da Pensilvânia nos anos 1990, arcando com cortes de financiamento, perda de laboratório e rebaixamento acadêmico. O cenário começou a mudar em 2005, quando ela se uniu ao imunologista Drew Weissman. A dupla publicou uma descoberta revolucionária ao modificar quimicamente a uridina, eliminando a resposta inflamatória indesejada.

O triunfo e o reconhecimento global Apesar da conquista, o mercado farmacêutico ignorou o método por anos, até que a emergência global da Covid-19 em 2020 levou empresas como Pfizer e Moderna a utilizarem a plataforma. Dados da revista científica The Lancet apontam que os imunizantes salvaram quase 20 milhões de vidas no primeiro ano de aplicação em massa. Em 2023, Karikó e Weissman receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina.

Segurança e o mecanismo de ação Em entrevista, o especialista em biologia molecular e genética Warlen Pereira Piedade detalhou o funcionamento da plataforma. “A vacina entra nas nossas células e ensina a produzir um pedacinho do vírus, uma ‘proteinazinha’ viral – às vezes não é nem a proteína inteira, é só um pedacinho dela. Ela entrega essa instrução genética para a célula para que ela possa produzir essa proteína do vírus, que aí vai ser encontrada pelas células do sistema imunitário. Elas vão ver que tem essa proteína estranha, vão reconhecê-la como invasor e vão produzir anticorpos e células de memória que vão lembrar dessas proteínas como sendo algo nocivo. Quando um vírus infecta a gente de verdade, ele tem essas proteínas na superfície, então essas células detectam o vírus e vão acabar com ele”.

O especialista também garantiu que é biologicamente impossível que as vacinas alterem o DNA humano, visto que o material não entra no núcleo celular. “Elas passam por rigorosos ensaios clínicos e controle de agências regulatórias em todos os países. No nosso caso, é a Anvisa, no caso dos Estados Unidos, a FDA. Elas foram testadas em populações diferentes, em momentos diferentes, idades diferentes, contextos diferentes, então são extremamente seguras”, acrescenta.

Versatilidade e o futuro da medicina A velocidade de produção é outro diferencial importante, já que a plataforma é totalmente sintética e programada digitalmente. “Ele é planejado no computador, depois um equipamento produz essa sequência e aí a gente monta a vacina. Então, eu consigo rapidamente, em poucas semanas, alterar essa sequência no computador e começar a sintetizar RNA mensageiros novos”, explica Piedade.

O sucesso com o coronavírus abriu portas para novas aplicações. “Praticamente todos os vírus que nos causam doenças, conseguimos pegar pedacinhos e usar para ensinar o nosso corpo a combatê-los”, pontua o pesquisador, citando estudos contra gripe, dengue, HIV e zika. Cientistas também desenvolvem vacinas terapêuticas personalizadas contra o câncer. “Essas vacinas terapêuticas já estão sendo testadas para diversos tipos de cânceres, não é algo que está só sendo planejado; o teste já está sendo feito”.

No Brasil, instituições como a Fiocruz e a UFMG buscam autorização da Anvisa para ensaios clínicos, embora a produção em escala industrial pelo SUS ainda exija o cumprimento das próximas fases de testes.

Outros destaques do noticiário científico e tecnológico Enquanto a biologia molecular avança, o cenário tecnológico global debate os limites e riscos da inteligência artificial. Entre os temas recentes, o neurocientista Álvaro Machado Dias rebateu previsões alarmistas sobre a extinção humana provocada por IA, afirmando que “Não há a mínima plausibilidade nesse papo”.

Em paralelo, falhas de segurança ganharam holofotes após pesquisadores utilizarem o modelo Claude para acessar sistemas internos da OpenAI. No Vale do Silício, círculos de discussão também debatem rumores inusitados sobre engenheiros tratando chatbots como divindades, em meio a discussões sobre a desaceleração do setor.

No setor automotivo, a Kaspersky identificou a primeira campanha de malware direcionada a centrais multimídia de veículos baseados em Android. Por fim, novos benchmarks em computação quântica demonstraram tanto os avanços quanto a distância que separa as máquinas atuais de aplicações práticas em larga escala.

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