O Senado Federal, em uma votação simbólica realizada na última quinta-feira (3), encerrou a polêmica conhecida como “taxa das blusinhas”, que incidia um imposto de 20% sobre compras de até US$ 50 em plataformas internacionais. A medida, que zera essa cobrança, foi aprovada após o mesmo desfecho na Câmara dos Deputados e agora segue para sanção do presidente.
Isenção de impostos e seus impactos
A nova legislação elimina a tributação sobre compras de pequeno valor em sites como Shopee, Shein e AliExpress, equivalentes a cerca de R$ 257. Com isso, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquista uma importante vitória a menos de um mês das eleições de outubro. A proposta enfrentou resistências de lobistas da indústria nacional e do varejo, que temiam os efeitos da medida.
Alterações importantes no texto da proposta
Durante sua tramitação, o projeto passou por ajustes significativos. A relatora, senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), introduziu uma emenda que isenta de impostos a importação de medicamentos sem similar no Brasil, visando beneficiar os consumidores. “Muitos brasileiros, especialmente famílias, buscam alternativas mais baratas e o comércio eletrônico se torna uma solução para o orçamento mensal”, destacou a senadora em sua fala.
Além da isenção para compras de pequeno valor, a medida prevê uma redução da alíquota de importação de 60% para 30% para remessas de até US$ 3 mil. Também foram introduzidas avaliações periódicas para monitorar os impactos econômicos da isenção, com a primeira análise programada para ocorrer em três meses e as subsequentes a cada seis meses.
Exigências e críticas à nova legislação
A nova lei impõe regras para plataformas digitais e operadores logísticos, exigindo a identificação de indícios de subfaturamento e a rastreabilidade de vendedores, além da cooperação com a Receita Federal. Essas medidas visam garantir a integridade do processo de importação e evitar fraudes.
Entretanto, a oposição expressou preocupações sobre a legislação, argumentando que a isenção favorece empresas estrangeiras em detrimento da indústria nacional. O deputado federal Gilson Marques (Novo-SC) criticou a medida, afirmando que o benefício deve ser estendido aos produtos fabricados no Brasil.
Impactos para o mercado de trabalho
Os setores produtivos manifestaram-se contrários à proposta, alegando que a isenção pode ameaçar até 109 mil empregos no país, conforme estimativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade ressalta que, para cada real gasto em encomendas de pequeno valor de sites estrangeiros, a produção nacional perde R$ 3,11, o que levanta preocupações sobre a sustentabilidade do emprego e da indústria local.
A aprovação da medida representa uma mudança significativa na política de importação do Brasil, refletindo um equilíbrio delicado entre o poder de compra do consumidor e a proteção da indústria nacional. A sanção presidencial será um passo crucial para determinar os rumos desta nova legislação e seus efeitos sobre a economia brasileira.








