–:–:–
Conecte-se conosco

Conmebol sofre prejuízo milionário após colapso de banco digital no Paraguai

Entidade máxima do futebol sul-americano teve R$ 76 milhões travados na instituição financeira que faliu recentemente.

52 visualizações
Conmebol perde R$ 76 mi com a crise do Ueno Bank, que abala futebol paraguaio

A expressiva quebra e intervenção no Ueno Bank, considerado um dos principais expoentes do setor de finanças digitais no Paraguai, causou forte instabilidade na economia do país e atingiu diretamente os cofres da Conmebol. Com sede na cidade de Luque, na região metropolitana de Assunção, a principal autoridade do futebol sul-americano teve cerca de US$ 14 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 76 milhões, retidos em meio à crise.

Impacto financeiro e orçamento bilionário Em contato com a imprensa, a confederação esportiva assegurou que o montante afetado constitui apenas uma fração diminuta de seu patrimônio. A instituição registrou receitas próximas de R$ 600 milhões no ano anterior, o que significa que o valor retido corresponde a apenas 2,3% desse total. Para a atual temporada, a entidade programou um repasse recorde em premiações, projetando investir cerca de US$ 312 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) no somatório de seus torneios oficiais, a exemplo da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana.

Retirada de patrocínios e ruptura de contratos Nos últimos anos, o banco havia intensificado sua estratégia de marketing utilizando o esporte mais popular do país como vitrine para consolidar sua presença no mercado. A instituição mantinha um vínculo comercial de US$ 12 milhões (aproximadamente R$ 66 milhões) com a Associação Paraguaia de Futebol (APF), acordo que garantia a estampa da logomarca nos uniformes da seleção nacional e os direitos de nome do campeonato local.

Conforme informações veiculadas pela rede de televisão local ABC, o Olimpia possuía um acordo de patrocínio máster e de exploração comercial do estádio Defensores del Chaco com vigência até 2032. O tricampeão da Libertadores optou pela rescisão imediata do pacto, estimado em cerca de US$ 2 milhões anuais, e já entrou em campo exibindo a marca de um novo parceiro na camisa.

De maneira similar, o Cerro Porteño mantinha um contrato ativo até 2030, que estava atrelado ao abatimento de um débito institucional de US$ 24 milhões. O clube cobriu o logotipo da instituição financeira em seus mantos oficiais e mobilizou o departamento jurídico para oficializar o rompimento da aliança.

Crise salarial e revolta dos atletas Segundo veiculado por veículos de comunicação paraguaios, o colapso econômico alcançou a esfera pessoal de atletas e comissões técnicas das equipes locais. A instituição funcionava como o canal padrão para a quitação da folha salarial dos times do país e da própria APF, deixando diversos profissionais sem acesso aos vencimentos e premiações conquistadas.

O cenário adverso provocou forte indignação, culminando na assinatura de um manifesto público por parte dos jogadores da seleção nacional, que exigiram providências enérgicas das instâncias judiciais. “O povo paraguaio é solidário, honesto e trabalhador”, compartilhou Gustavo Gómez, capitão do Palmeiras e da seleção paraguaia. “Quanto à nossa situação pessoal, dizemos com clareza: cada um de nós avaliará individualmente as medidas legais cabíveis caso sejamos afetados por esses acontecimentos. Não vamos fazer vista grossa”, seguiu.

“Ser paraguaio não é apenas vestir a camisa. É não abandonar seu povo quando ele mais precisa de você. Força a todas as famílias afetadas. Vocês não estão sozinhos. Estamos com vocês. O Paraguai já superou muitas dificuldades. E desta vez também vamos superar, unidos, com trabalho, dignidade e de cabeça erguida”, continuou.

Investigações e consequências políticas Acumulando uma base de aproximadamente três milhões de usuários, a empresa consolidou-se como a principal emissora de cartões de crédito em território paraguaio. No entanto, passou a ser alvo de apurações oficiais devido a irregularidades contábeis, apresentando um índice de solvência — indicador que afere a capacidade de honrar compromissos financeiros — inferior à metade do patamar mínimo exigido pelas normas regulatórias.

A corporação gerenciava cerca de US$ 850 milhões (R$ 4,64 bilhões) pertencentes a cofres públicos paraguaios, atendendo inclusive a aposentados que recebiam auxílios estatais por meio de sua plataforma. A gravidade da situação resultou na demissão de Carlos Carvallo, que havia presidido o banco até 2023 e atualmente chefiava o Banco Central, a pedido do presidente Santiago Peña, que também renunciou. Como desdobramento, o Ministério Público requisitou a instauração de inquérito criminal e decretou a detenção de oito pessoas vinculadas ao empreendimento.

Mais em Mundo

Ver tudo →