A UniCesumar, no Paraná, expulsou alunos do curso de Medicina das unidades de Cascavel e Maringá, no Oeste no Norte do Paraná, que enviaram mensagens preconceituosas sobre colegas bolsistas. As conversas ocorreram em um grupo de WhatsApp e ironizam estudantes que dependem de programas sociais para pagar a faculdade.
A universidade concluiu a sindicância interna na sexta-feira (30) e decidiu aplicar medidas disciplinares aos envolvidos. As punições incluem advertências, suspensões e desligamentos, conforme a gravidade de cada conduta.
- Enem 2026: Paraná organiza transporte gratuito para estudantes da rede estadual; confira a lista de cidades
O que dizem as mensagens dos alunos de medicina que foram expulsos
Nas conversas, estudantes se vangloriam de ter condições financeiras para pagar a faculdade sem recorrer a programas sociais. Em uma das mensagens, um aluno ironiza os bolsistas que votaram no presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.
“Pessoal do Prouni aí comemora que vai continuar essa palhaçada ”
escreveu.
Em outra mensagem, um dos alunos de medicina que foram expulsos afirma que a família tem dinheiro suficiente para pagar a mensalidade e ironiza os colegas beneficiados por bolsas.
“Pai dos pobres vai cuidar de vcs fiquem tranquilos sobrinhos, agnt ta tranquilo e tem 15k por mês com sobras ”
As conversas também incluem comentários sobre o esforço financeiro dos pais para custear a formação. Um dos estudantes afirmou que trabalhava em dois empregos antes de ingressar na faculdade e que tinha orgulho disso. Em resposta, outro escreveu:
“Graças a Deus eu tenho uma família trabalhadora e digna que consegue pagar minha mensalidade ”.
Em outra mensagem, um aluno compara estudantes que pagam a própria mensalidade com aqueles que conseguiram a vaga pelos programas.
“Quem trabalhou e tem 15 mil por mês pra pagar >>>>>>>>> Quem passou numa provinha”
UniCesumar concluiu sindicância e aplicou punições
A UniCesumar reafirmou, na mesma nota em que destaca a decisão de punir os alunos, o compromisso com a ética, a responsabilidade, o respeito à vida e os valores que orientam a formação dos estudantes. Além disso, declarou repudiar qualquer forma de discriminação ou preconceito.
Antes de concluir a sindicância, a universidade publicou uma primeira nota, na quarta-feira (28). Naquele momento, a instituição já repudiou as mensagens e informou que havia aberto uma investigação para apurar o caso. O resultado foram os alunos de medicina sendo expulsos da instituição.
A instituição também esclareceu que o grupo de WhatsApp não tinha vínculo com a universidade e não era um canal oficial.
Segundo a nota, como o acesso ao grupo ocorria por convite dos próprios participantes e não era restrito à comunidade acadêmica, a universidade conseguia identificar apenas os integrantes que faziam parte de seu corpo discente.
A UniCesumar ainda informou que não compartilharia os dados dos estudantes identificados, em razão de questões legais e éticas relacionadas à confidencialidade.
- Votorantim Cimentos abre vagas de estágio na RMC
CRM-PR condena atitudes discriminatórias
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também publicou uma nota sobre o caso. No texto, a entidade repudiao as denúncias de intolerância contra estudantes de Medicina de Cascavel e Maringá.
O conselho afirmou que as atitudes relatadas ferem os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, segundo os quais o estudante deve atuar a serviço da saúde humana e da coletividade, sem discriminação de qualquer natureza.
O CRM-PR destacou que a formação médica exige compromissos humanísticos e humanitários, voltados à promoção do bem-estar físico, mental e social das pessoas.
Para o conselho, atitudes discriminatórias, como as dos alunos de medicina que foram expulsos, são incompatíveis com esses valores e não devem ser toleradas no ambiente de formação médica.
- Estudante cria extintor que apaga fogo com uso de som
O órgão informou ainda que acompanhará os desdobramentos do caso e adotará as providências cabíveis dentro de suas atribuições, contribuindo para uma apuração rigorosa e transparente dos fatos pelas instâncias competentes.








