–:–:–
Conecte-se conosco

Super-ricos poluem mais e lucram com a crise climática

Estudo revela que elite global causa emissões desproporcionais enquanto populações vulneráveis enfrentam mortes e fome.

36 visualizações
Super-ricos geram mais poluição e lucram com desastres climáticos

A fatia equivalente a 0,1% da população mundial — cerca de 8 milhões de indivíduos — é responsável por um volume de poluição por carbono superior ao gerado por 3,5 bilhões de pessoas que integram a base da pirâmide econômica.

Relatório da Oxfam para a COP31 As conclusões constam em um levantamento divulgado pela Oxfam, lançado em caráter prévio à conferência climática da ONU (COP31), programada para ocorrer na Turquia entre os dias 9 e 20 de novembro de 2026. O documento aponta que o aquecimento global avança impulsionado por emissões extremas de uma elite financeira que consegue isolar-se dos danos.

“A crise climática é frequentemente descrita como um desafio humano compartilhado. Mas não é. Aqueles que menos contribuíram para causá-la estão perdendo suas casas, suas colheitas e, cada vez mais, suas vidas”, afirmou Amitabh Behar, diretor executivo internacional da Oxfam, em nota.

Impactos severos e desproporcionais Enquanto os 50% mais pobres sofrem com o enfraquecimento de seus meios de subsistência, perda de lavouras e destruição de moradias por eventos extremos, a pegada de carbono individual do grupo de super-ricos multiplica os riscos associados ao clima. Dados compilados pelo estudo mostram que uma única pessoa pertencente aos 0,1% mais ricos gera um impacto de calor extremo quase 400 vezes maior do que alguém inserido na metade mais pobre da humanidade.

As projeções indicam que apenas doze meses de emissões geradas pelos 1% mais ricos resultarão em 1,9 milhão de mortes adicionais decorrentes do calor. Desse total, 78% ocorrerão em nações de baixa e média-baixa renda, territórios que respondem por meros 8% do total global de emissões de gases poluentes.

Lucros sobre a destruição ambiental Além do custo em vidas humanas, o estudo projeta perdas econômicas globais de quase US$ 53 trilhões até 2050 em razão exclusiva das emissões dos 1% mais ricos. Até o mesmo ano, a estimativa aponta que até 1 bilhão de pessoas podem ser forçadas a deixar suas regiões de origem por causa das intempéries, com forte concentração no Sul Global.

“Enquanto isso, os super-ricos podem comprar sua segurança, refugiando-se em bunkers subterrâneos de alta tecnologia, contratando equipes privadas de combate a incêndios e adquirindo seguros privados, além de lucrarem ativamente com as consequências da poluição que geram”, acrescentou Behar.

A organização aponta que desastres ambientais têm servido de argumento para a implementação de políticas que ampliam desigualdades sociais, a exemplo de desregulamentações, privatizações de serviços essenciais, concessão de benefícios fiscais a magnatas e apropriação de terras.

“Isso não é uma tragédia de destino compartilhado; é um crime de desigualdade extrema”, concluiu o diretor da Oxfam.

Índice Destruir e Reconstruir Para mapear o fenômeno, a instituição criou o índice Destruir e Reconstruir, identificando 217 companhias que obtêm ganhos financeiros simultâneos em frentes poluidoras e em serviços voltados à mitigação, resposta e recuperação pós-desastre.

“Os super-ricos estão incendiando o planeta e depois cobrando do resto de nós pelos extintores”, afirmou Behar. “Eles lucram com a poluição. Eles lucram com o desastre. E lucram novamente com a reconstrução.”

Medidas propostas pela Oxfam Diante do panorama crítico, a organização listou diretrizes para conter o avanço da crise. Entre as sugestões estão a taxação severa de grandes fortunas, rendas elevadas, combustíveis fósseis e artigos de luxo poluentes, como jatos particulares, para forçar os grandes emissores a cortarem suas marcas de carbono.

O plano também prevê a ampliação de repasses financeiros ao Sul Global baseados em recursos públicos e doações, evitando o endividamento por empréstimos, com triplicação dos aportes de adaptação até 2035. Por fim, recomenda-se a criação de redes públicas resilientes e o travamento de lucros corporativos em situações emergenciais.

Mais em Meio Ambiente

Ver tudo →