Denúncia internacional contra o governo argentino
A Anistia Internacional anunciou que vai formalizar uma denúncia contra o presidente da Argentina, Javier Milei, na Organização das Nações Unidas (ONU) e na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). A medida ocorre devido à escalada de hostilidade do mandatário contra profissionais da imprensa no país sul-americano.
As tensões se intensificaram após o arquivamento, pela Justiça argentina, do caso investigativo conhecido como “criptogate”, que envolvia suspeitas sobre a criação da criptomoeda $Libra. O juiz federal Marcelo Martínez De Giorgi concluiu que não houve prática de delitos por parte do governante ou de sua irmã, Karina Milei.
Ameaças e ataques nominais à imprensa
Na última semana, o chefe de Estado direcionou ofensas e críticas nominais a repórteres de investigações, citando Hugo Alconada Mon, Carlos Pagni, Paulino Rodrígues, Natalia Volosin e Luis Novaresio.
Em pronunciamento e postagens na internet, o governante utilizou termos pejorativos contra os profissionais e declarou que “os que têm que queimar na fogueira são os filhos da p*”. Para a ONG de direitos humanos, a frase evoca violência extrema e ultrapassa os limites do debate público, estigmatizando quem questiona a gestão federal.
A diretora-executiva da entidade na Argentina, Mariela Belski, destacou a gravidade da postura presidencial: “O cargo que ocupa exige uma responsabilidade reforçada: deve garantir que a imprensa possa investigar e informar com liberdade e segurança. O assédio por parte do poder deteriora as condições do debate democrático e afeta o direito de toda a sociedade de estar informada”.
Estatísticas de violência e reação sindical
Dados do Fórum de Jornalismo Argentino apontam 278 casos de agressões contra comunicadores em 2025, um aumento expressivo em relação ao ano anterior. O levantamento atribui ao presidente a autoria de dezenas desses episódios, incluindo discursos estigmatizantes e restrições de acesso a informações públicas.
Entidades como a Federação Internacional dos Jornalistas (FIP) e o Sindicato de Imprensa de Buenos Aires também repudiaram as atitudes do governo. A presidente da FIP, Zuliana Lainez, alertou sobre os riscos ao exercício democrático: “Constrói-se um clima de intimidação que põe em risco a integridade dos trabalhadores da imprensa, favorece a autocensura e busca desestimular o exercício de uma função essencial para qualquer sociedade democratica.”
O sindicato local reforçou o repúdio afirmando que o presidente argentino “voltou a ultrapassar um limite gravíssimo” e destacou que a incitação à violência requer uma resposta imediata para evitar consequências físicas aos profissionais da área.
O caso do jornalista brasileiro
O cenário de restrições à liberdade de expressão também atingiu o cenário internacional recentemente. No dia 12, o jornalista brasileiro Rogério Tomaz Jr., conhecido por análises críticas sobre a economia e a política de cortes de gastos do governo argentino, teve a residência permanente cancelada e foi impedido de reentrar no país ao desembarcar em Buenos Aires.







