Os ativos brasileiros negociados no exterior abriram a manhã desta segunda-feira em forte ritmo de desvalorização logo após o desfecho da corrida presidencial no Brasil. O EWZ, principal fundo de índice (ETF) do país listado na Bolsa de Nova York e que espelha o índice MSCI Brazil, derreteu 26,04% no pre-market, negociado a US$ 31,30 por volta das 5h34 (horário de Brasília). O instrumento reúne papéis de empresas de grande e médio porte e serve como o principal termômetro do sentimento estrangeiro antes da abertura dos mercados locais.
Tombo atinge papéis de estatais, bancos e mineradoras
O movimento de liquidação em Wall Street atingiu com intensidade os recibos de ações (ADRs) das corporações nacionais. A Petrobras foi um dos destaques mais expressivos de recuo: os papéis PBR (equivalentes aos ordinários, PETR3) afundavam 19,53%, cotados a US$ 21,05, enquanto os PBR-A (equivalentes aos preferenciais, PETR4) desabavam 19,72%, atingindo US$ 18,89.
No setor financeiro, o Itaú registrou uma retração acentuada de 25,54% em suas cotas no exterior. Por sua vez, as ações da mineradora Vale apresentaram um recuo de 5,24% no mesmo período.
Surpresa eleitoral força reajuste de preços
A reação negativa imediata decorre de uma reprecificação de riscos por parte do mercado financeiro, que precificava outro desfecho na disputa pelo Palácio do Planalto.
“A vitória do presidente Lula não era o nosso cenário base. Trabalhávamos com um leve favoritismo de Flávio Bolsonaro, e o mercado via a possibilidade de mudança de governo e de uma agenda mais liberal. Essa expectativa se traduziu na melhora da Bolsa, principalmente após o resultado do primeiro turno”, avalia Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
De acordo com o analista, o início da semana exigirá adaptação intensa dos operadores locais e internacionais. “Isso deve gerar uma volatilidade bastante grande no câmbio e na curva de juros futura, com possível estresse no mercado de títulos públicos. A segunda-feira pode ser bastante volátil, porque haverá uma correção de rota e de ânimo do mercado”, avalia o especialista.
A virada histórica nas urnas
O resultado oficial proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) garantiu a Lula um inédito quarto mandato à frente do Executivo federal. Pela primeira vez na história recente das eleições presidenciais do país, um postulante que encerrou o primeiro turno em desvantagem conseguiu reverter o placar no segundo turno.
O petista superou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 51,79% dos votos válidos contra 48,21% do adversário, que liderava a disputa no início da fase decisiva na tentativa de restabelecer o projeto político liderado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A jornada de votação também foi marcada por imprevistos, incluindo a prorrogação emergencial do horário de encerramento em algumas seções por falhas no sistema de transporte público.
Às vésperas de completar 81 anos e consolidado como o mandatário mais velho no cargo, Lula estruturou sua campanha focando nas conquistas socioeconômicas do terceiro mandato — com destaque para índices baixos de desemprego e avanços no combate à fome — e classificou o pleito como uma defesa intransigente das instituições democráticas.








