–:–:–
Conecte-se conosco

“o ser querido” expõe dilema entre pai e filha na mostra de são paulo

Estrelado por Javier Bardem e dirigido por Rodrigo Sorogoyen, o longa examina o doloroso processo de uma reapresentação familiar.

46 visualizações
‘O Ser Querido’ expõe as feridas por trás de tentativa de reconciliação entre pai e filha

O cineasta Rodrigo Sorogoyen consolida sua fama de observador agudo das contradições humanas com seu novo trabalho exibido na 50ª Mostra de Cinema de São Paulo. A produção investiga a complexa dinâmica de afeto e ressentimento que surge quando os laços familiares se encontram profundamente marcados por disputas de poder e feridas não cicatrizadas do passado.

O retorno de Javier Bardem ao drama

Na trama, o renomado diretor Esteban Martínez, interpretado por Javier Bardem, decide convidar sua filha Emilia, vivida por Victoria Luengo, para ser a protagonista de sua próxima obra rodada em pleno deserto. A proposta funciona simultaneamente como uma chance de revitalizar a carreira da atriz e como uma tentativa de resgatar o tempo perdido pela ausência paterna.

Contudo, a rotina de gravações logo expõe velhas cobranças e expectativas desalinhadas. Embora Esteban demonstre carisma e genialidade artística, seus métodos autoritários e sua postura controladora revelam uma imaturidade emocional alarmante, transformando o set de filmagem em um verdadeiro campo de batalha psicológico.

Comparações e rigor formal

O enredo evoca paralelos imediatos com produções recentes que colocam cineastas famosos diante de filhas distantes, mas o diretor espanhol opta por um confronto mais explosivo e direto. A realização da obra dentro da própria narrativa amplia as barreiras, fazendo com que a autoridade profissional do pai se converta em um instrumento sutil de intimidação.

A tensão atinge seu ápice em uma longa sequência de um almoço familiar, onde a alternância entre momentos de humor ácido e hostilidade latente demonstra a maestria técnica da equipe. O uso de filtros em preto e branco e a precisão nos enquadramentos reforçam a artificialidade das imagens em contraste com a dor real dos personagens.

Evitando saídas fáceis ou redenções superficiais, a obra mantém um olhar cético sobre a possibilidade de cura. A narrativa enfatiza que o desejo de união esbarra na incapacidade do protagonista de enxergar a herdeira além de sua própria ausência, evidenciando que o perdão jamais acontece sob as regras exclusivas de quem provocou a fratura.

Mais em Entretenimento

Ver tudo →