O atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro debateram projetos econômicos, sociais e de segurança pública nesta sexta-feira (23), durante o último confronto televisivo da campanha para o segundo turno das eleições de 2026. A transmissão foi realizada pela TV Globo a apenas dois dias da votação definitiva marcada para domingo (25), reunindo os postulantes ao Palácio do Planalto para o mandato de 2027 a 2030.
Infraestrutura e desenvolvimento regional O evento televisivo teve início com debates voltados à infraestrutura e ao crescimento regional, passando em seguida por assuntos como poder de compra, ensino e o endividamento das famílias brasileiras. A etapa derradeira do encontro, contudo, foi marcada por trocas de acusações sobre temas de corrupção e histórico patrimonial.
Lula focou sua participação na defesa de realizações de sua gestão, prometendo expandir programas sociais nas áreas de renda, ensino e crédito. Por sua vez, Flávio firmou compromissos com cortes tributários, facilitação de crédito, endurecimento do sistema penal e maior inserção da iniciativa privada em obras públicas.
Economia e renegociação de débitos O endividamento da população esteve entre os assuntos mais debatidos. Lula sugeriu uma nova fase do programa Desenrola, mencionando leilões para aquisição de dívidas bancárias com abatimentos que podem alcançar até 95%. Segundo o petista, a ação injetaria cerca de R$ 150 bilhões na economia, além de contemplar microempreendedores individuais.
Do outro lado, Flávio propôs converter a Caixa Econômica Federal no Banco da Prosperidade, com o objetivo de comprar passivos de cidadãos e empresas para refinanciamento facilitado. O parlamentar também citou a suspensão temporária de pagamentos por até seis meses para pessoas físicas e um ano para jurídicas, visando baixar os juros e reativar o consumo.
Medidas para a segurança pública Na área de segurança, Flávio retomou a promessa de tratar facções como o Primeiro Comando da Capital, o Comando Vermelho e milícias sob a alcunha de organizações narcoterroristas. O candidato também mencionou a redução da maioridade penal e medidas mais duras contra crimes sexuais e patrimoniais.
Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e a criação de uma pasta ministerial exclusiva para o setor, além de reforçar a atuação conjunta das polícias federal e rodoviária federal contra o crime organizado.
Saúde e o futuro do SUS O financiamento do Sistema Único de Saúde gerou embate direto. Enquanto Lula questionou possíveis cortes na rede pública, Flávio negou planos de privatização e garantiu a manutenção de repasses, propondo a atualização da tabela de remuneração de procedimentos e o refinanciamento de débitos das Santas Casas.
Propostas para educação e benefícios sociais Na educação, Lula prometeu estender o ensino integral a todas as redes e universalizar o programa Pé-de-Meia. Flávio assegurou a manutenção do benefício estudantil, sugeriu um auxílio-creche para famílias sem vagas na rede pública e a inserção de tecnologia no contraturno escolar.
Ambos os concorrentes manifestaram apoio a reajustes salariais e de aposentadorias acima da inflação, bem como à gratuidade no transporte coletivo nos fins de semana. Na reta final, o debate foi encerrado com discussões acirradas sobre o patrimônio pessoal e a relação dos candidatos com instituições financeiras.







