Um levantamento inédito realizado com profissionais da saúde evidencia um abismo na percepção da qualidade entre as unidades de terapia intensiva públicas e privadas no país. Enquanto os serviços particulares recebem avaliações altamente positivas, a rede pública acumula críticas severas em quase todos os quesitos avaliados.
Radiografia da alta complexidade
O estudo recolheu a opinião de 2.338 médicos atuantes na assistência crítica. A iniciativa foi conduzida pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira, contando com o suporte técnico do Conselho Federal de Medicina. Os participantes pontuaram de zero a cinco itens fundamentais, como infraestrutura, fluxos clínicos, protocolos e disponibilidade de fármacos.
Desigualdade na assistência e medicamentos
Os dados numéricos detalham o cenário crítico enfrentado no dia a dia dos hospitais. Apenas 22,7% dos doutores enxergam uma oferta plenamente adequada de remédios no Sistema Único de Saúde, ao passo que na esfera privada esse índice alcança 57,7%. As avaliações negativas sobre insumos atingem 16,1% no atendimento estatal e recuam para 3,8% na rede particular.
Infraestrutura e diretrizes clínicas
No quesito suficiência de leitos, a nota máxima foi atribuída por 24,1% dos profissionais na rede pública, contra 51,4% no setor privado. Em relação aos protocolos de atendimento, o cenário se repete: o SUS obteve conceito máximo de 23,1% dos entrevistados, enquanto as instituições particulares atingiram 40,2% de aprovação máxima dos especialistas.
O gargalo das equipes e burocracia
A carência de profissionais especializados também pontua a disparidade. A presença de equipes multiprofissionais ganhou nota máxima de 39,2% no setor privado e apenas 23% no público. O único ponto de convergência entre os dois modelos de gestão na percepção dos trabalhadores diz respeito ao volume de tarefas administrativas e burocráticas cotidianas.
Diante do diagnóstico, a entidade representativa da categoria pretende pressionar gestores das esferas pública e privada para priorizar melhorias estruturais profundas. “Eventuais mudanças terão impacto em 43.901 leitos de UTI distribuídos pelo país, sendo 34.927 destinados a adultos e 8.974 à pediatria e neonatologia”, destacou a Amib.







