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Balanços do 3T26: o que esperar de WEG, Embraer e Marcopolo

Temporada de resultados corporativos começa com cenário operacional desafiador e expectativas mistas para o setor de bens de capital.

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WEG, Embraer e Marcopolo: o que esperar dos balanços de bens de capital do 3T26

A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 começa em meio à forte valorização das ações brasileiras desde o início de outubro, impulsionada pela expectativa de juros mais baixos. O movimento renovou o interesse dos investidores pelas empresas mais expostas à economia doméstica, mas o cenário operacional ainda inspira cautela. Segundo a XP Investimentos, os resultados deve reforçar que o ambiente operacional no Brasil continua desafiador para o setor de bens de capital, com uma recuperação desigual entre as empresas. Já o Bradesco BBI vê pouco espaço para surpresas positivas no terceiro trimestre. Embora algumas empresas devam retomar o crescimento após um segundo trimestre fraco, isso se deve em parte a bases de comparação mais fáceis e já está refletido no consenso do mercado.

Desempenho esperado para a WEG A WEG dará início à temporada de resultados do setor de bens de capital nesta quarta-feira (21), antes da abertura dos mercados, com expectativa ligeramente positiva. Os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, da XP, esperam resultados marginalmente positivos, com a rentabilidade permanecendo em níveis fortes e bases de comparação mais fáceis sustentando alguma reaceleração do crescimento, enquanto os investimentos recentes em capacidade permanecem em estágio inicial de ramp-up. O BBI prevê um crescimento de receita de 4% em relação ao ano anterior, com o crescimento em moeda constante acelerando para 8%. A melhora deve refletir a maior competitividade no segmento de GT&D no Brasil e um menor impacto negativo do câmbio. A receita doméstica deve se recuperar em 3% em relação ao ano anterior, enquanto a receita internacional deve permanecer forte em +11% em dólares, impulsionada pela demanda robusta por transformadores e alternadores. A margem EBITDA deve atingir 21,6%, ainda pressionada por custos mais altos de matéria-prima, tarifas e ineficiências na implementação de novas fábricas. O BBI projeta um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, na sigla em inglês)) de R$ 2,32 bilhões e um lucro líquido de R$ 1,65 bilhão.

Perspectivas para a Embraer A expectativa para Embraer é positiva, sustentada pelas entregas divulgadas anteriormente, permanecendo no caminho para entregar seu guidance (limite superior para receita/rentabilidade). O Santander aponta os números da Embraer como sendo um dos seus destaques. Os números da Embraer de entregas do 3T26 foram moderadamente positivos, na projeção dos estrategistas, apesar de as entregas nos segmentos de Aviação Comercial e Executiva terem ficado abaixo das estimativas do banco. Os dados sugerem que os esforços para equalizar a produção estão ganhando tração, o que pode proporcionar maior previsibilidade ao fluxo de caixa livre (FCF) daqui para frente. Com base nas tendências recentes de entrega, o banco mantém a visão de que o guidance para o ano de 2026 é alcançável e o banco acredita que os resultados do 3T26 podem representar uma surpresa positiva.

Desafios para a Marcopolo e autopeças A XP vê a Marcopolo como o destaque negativo no segmento de autopeças, impactada por menores volumes domésticos e as pressões de custos mais do que compensem um mix de produtos mais favorável, com a margem EBITDA permanecendo abaixo dos níveis reportados durante a maior parte de 2024-25. O BBI também avalia que perspectiva para a Marcopolo permanece fraca no curto prazo. A produção local deve cair 21% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, diante da ausência de entregas de programas governamentais e do desempenho fraco das exportações. Os principais mercados internacionais, especialmente Argentina e México, também devem continuar pressionados. A receita deve recuar 7% na comparação anual. A margem EBITDA é estimada em 14,2%, incluindo o resultado de equivalência patrimonial, ou 13,2% sem esse efeito. A primeira estimativa representa queda de 0,5 ponto percentual ante o segundo trimestre e de 5,4 pontos percentuais em relação a um ano antes. O EBITDA, incluindo o resultado de equivalência patrimonial, deve somar R$ 330 milhões, queda de 33% em um ano. O lucro líquido é estimado em R$ 204 milhões, recuo de 37%.

Outras empresas do setor A Intelbras deve apresentar mais um trimestre sólido, com aceleração do crescimento da receita consolidada para 4% na comparação anual e 2% em relação ao trimestre anterior, após queda de 8% no segundo trimestre, pressionada por uma base de comparação desfavorável. As estimativas indicam receita mais forte no segmento de segurança, com alta de 5% na comparação trimestral e de 3% na anual. As margens também devem surpreender positivamente. A margem EBITDA, que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização em relação à receita, deve atingir 13,7%, avanço de 0,9 ponto percentual em um ano. Embora abaixo dos 14,7% registrados no segundo trimestre, o resultado deve superar as indicações anteriores da companhia, uma vez que os reajustes de preços tendem a amenizar o impacto dos estoques de custo mais elevado.

A Randoncorp, excluindo a Fras-le, deve acelerar o crescimento da receita para 5% na comparação anual, segundo estimativas do BBI. O desempenho, porém, deve ser parcialmente compensado pela queda de 2% na receita da Fras-le, que havia registrado crescimento de 2% no trimestre anterior. A receita consolidada deve crescer 2% em um ano, enquanto a margem EBITDA é estimada em 12,6%, queda de 0,7 ponto percentual ante o segundo trimestre e de 1,4 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado. Os pedidos de vagões ferroviários, que apresentam margens mais elevadas, devem favorecer a composição da produção. No entanto, os custos iniciais de implementação devem absorver boa parte desse benefício. A Addiante também deve continuar pressionando os resultados, com contribuição negativa estimada em R$ 30 milhões. O EBITDA deve alcançar R$ 443 milhões, queda de 8% na comparação anual, enquanto o lucro líquido deve somar R$ 36 milhões, alta de 57%.

A Fras-le deve registrar queda de 2% na receita do terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, após crescimento de 2% no segundo trimestre. O desempenho deve refletir o adiamento de compras por distribuidores, em meio aos efeitos desfavoráveis da reforma tributária no estado de São Paulo, além de uma gestão mais cautelosa dos estoques diante de um cenário macroeconômico desafiador. O crescimento internacional também deve permanecer fraco, enquanto o câmbio representa um obstáculo adicional. A margem EBITDA é estimada em 18,3%, queda de 2,1 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior, quando atingiu nível recorde, e de 0,9 ponto percentual na comparação anual. A pressão deve vir dos volumes menores, do benefício cambial mais limitado sobre o custo dos produtos vendidos, de uma possível pressão maior sobre os preços e de despesas não recorrentes.

Na avaliação do BBI, o Iochpe-Maxion deve recuperar o crescimento da receita no terceiro trimestre, com alta estimada de 12% em reais na comparação anual, ante queda de 2% no segundo trimestre. Em moeda constante, a expansão deve alcançar 17%, impulsionada pela recuperação dos volumes nos Estados Unidos, na comparação com uma base fraca do ano passado no mercado de veículos comerciais. A Ásia também deve continuar contribuindo positivamente, com forte crescimento dos volumes. Esses mercados devem compensar com folga a demanda ainda fraca por veículos pesados no Brasil. A margem EBITDA ajustada, incluindo o resultado de equivalência patrimonial, deve atingir 10,7%, avanço de 0,4 ponto percentual em um ano e de 0,3 ponto percentual ante o trimestre anterior. O lucro líquido é estimado em R$ 89 milhões, excluindo despesas extraordinárias relacionadas ao resgate antecipado das notas com vencimento em 2028.

A Tupy deve retomar o crescimento da receita no terceiro trimestre, com avanço estimado de 9% em relação ao mesmo período do ano passado, após queda de 6% no segundo trimestre. A recuperação deve ser impulsionada pela melhora dos mercados internacionais a partir de uma base de comparação baixa. A receita internacional deve crescer 21% em reais e 28% em dólares, sustentada pela recuperação dos volumes de veículos comerciais na América do Norte. No mercado doméstico, a receita deve cair 6% em um ano, embora em ritmo menos intenso que o recuo de 14% observado no segundo trimestre, diante de um cenário macroeconômico ainda fraco. A margem EBITDA ajustada deve alcançar 9,5%, avanço de 2,6 pontos percentuais na comparação anual e de 3,2 pontos percentuais ante o trimestre anterior. A melhora deve refletir os volumes maiores nos Estados Unidos e as iniciativas de eficiência, embora a margem ainda fique abaixo do patamar de dois dígitos esperado no longo prazo. O EBITDA é estimado em R$ 249 milhões, alta de 51% em um ano, enquanto o lucro líquido deve somar R$ 44 milhões.

Por fim, a Mahle Metal Leve deve registrar queda de 5% na receita do terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, após recuo de 3% no segundo trimestre. O desempenho deve ser pressionado principalmente pela retração de 6% da receita doméstica, ante queda de 0,4% no trimestre anterior. Para BBI, a fraqueza reflete as condições ainda desafiadoras na Argentina e o adiamento de compras no estado de São Paulo em razão das mudanças no regime tributário. A receita internacional deve cair 1% em reais, mas crescer 4% em dólares, indicando influência desfavorável do câmbio. A margem EBITDA ajustada é estimada em 20,5%, queda de 0,9 ponto percentual na comparação anual, principalmente devido à alavancagem operacional negativa provocada pelos volumes menores no Brasil e na Argentina. O lucro líquido deve alcançar R$ 152 milhões, recuo de 19% em um ano.

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