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Roger Daltrey fala sobre voz no auge, The Who e Eddie Vedder

Lendário vocalista aos 82 anos revela detalhes de sua turnê solo e analisa o impacto do Pearl Jam no rock.

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Roger Daltrey fala à RS sobre Brasil, carreira solo, The Who e Eddie Vedder

Aos 82 anos, o icônico cantor Roger Daltrey desembarca no Brasil para se apresentar na segunda noite do festival Best of Blues and Rock, realizado no Parque Ibirapuera, em São Paulo. Em entrevista exclusiva, o músico reflete sobre sua trajetória artística, o legado do The Who, a relação com o público e sua amizade de longa data com o líder do Pearl Jam.

A conexão com o Brasil e a admiração por Eddie Vedder Relembrando sua passagem anterior pelo país, o artista destaca a energia da plateia local durante a turnê compartilhada com o Guns N’ Roses. Em relação ao evento atual, que divide o line-up com Eddie Vedder, Daltrey rasga elogios ao colega e recorda momentos marcantes da parceria entre eles ao longo das décadas.

Gosto muito do Pearl Jam. Acho que eles surgiram na hora certa, quando a música estava em fase meio desleixada. Era o final dos anos 1980. Bandas como Pearl Jam e Nirvana deram uma sacudida no cenário em uma época em que ele precisava muito dessa sacudida. Eddie Vedder se tornou um amigo incrível ao longo dos anos. Ele sempre esteve presente. Já pedi a ele para fazer várias coisas para mim. Ele tocou na minha festa de 50 anos no Carnegie Hall. E ele é fantástico como artista solo. Foi aí que eu me dei conta da riqueza da voz dele. Porque no Pearl Jam, a plenitude da voz dele acaba ficando um pouco abafada. Já como artista solo, ela realmente se destaca. Dá para entender.

Superação vocal e a liberdade da carreira solo Enfrentando desafios de saúde no início dos anos 2000, incluindo um pré-câncer nas cordas vocais, o cantor demonstra entusiasmo com sua performance atual e explica como a nova formação de sua banda permitiu reinterpretar clássicos sem o uso de bases pré-gravadas.

É isso que eu faço neste meu show solo agora. Montei essa minha banda atual durante a pandemia, porque os músicos foram muito maltratados. Eles estavam passando por momentos muito difícil, recebendo muito pouco dinheiro do governo. Pensei: preciso fazer algo; nós, que tivemos uma carreira sólida e nos demos bem na indústria, devemos fazer algo para manter os músicos trabalhando. Não só os músicos, mas também as equipes de produção. As pessoas se esquecem da importância de uma boa equipe de produção para um show. São pessoas extraordinárias: os técnicos, os motoristas dos caminhões… é incrível a maneira como trabalham, a ética de trabalho deles. Eles não recebem o reconhecimento que merecem. Então pensei em levar minha carreira solo um pouco mais a sério e montar uma banda com instrumentos de sonoridade completamente diferente. Reuni um acordeonista, uma violinista, dois guitarristas, uma percussionista, um gaitista, um bandolinista, um baixista e um baterista. Simon, que sempre esteve comigo em todos os meus shows solo, é um dos guitarristas e faz backing vocals. São nove músicos nesta banda e exploramos a música do The Who de uma maneira diferente. Tocamos “Won’t Get Fooled Again” e “Baba O’Riley”, mas não como The Who. Tocamos no mesmo andamento. Eu canto da mesma forma, na mesma tonalidade. No entanto, fazemos tudo com instrumentos. Sem backing tracks e sintetizadores. Ao fazer isso, conquistamos uma liberdade enorme, porque essas faixas pré-gravadas no The Who costumavam nos limitar. Não dava para expandir.

Planos futuros e a dinâmica com o The Who Questionado sobre o futuro da banda e a possibilidade de novos shows internacionais, o vocalista pondera sobre questões de saúde e comenta sobre os bastidores com o baterista Zak Starkey.

Zak Starkey é nosso amigo. Para mim, Zak é como um filho. Ele está comigo há 40 anos como meu baterista. Mas, às vezes, Zak enfrenta dificuldades pessoais. Isso pode afetar a responsabilidade que um baterista carrega. Às vezes, não podemos correr o risco. Mas temos que fazer algo. E a única maneira de resolver isso é ajudá-lo a se reerguer.

Para fechar, o músico reflete sobre as transformações na indústria musical e na sociedade ao longo das décadas, lamentando o distanciamento entre os artistas de grandes arenas e seus ouvintes.

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