Em meio ao confronto direto no debate presidencial de segundo turno, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, fez duras críticas à condução sanitária durante a administração de Jair Bolsonaro. Segundo o ministro, a eleição do senador Flávio Bolsonaro representaria o risco de estender a todo o país um cenário de crise semelhante ao verificado em unidades federais de saúde no Rio de Janeiro.
Confronto e mea-culpa no debate
A manifestação de Padilha nas redes sociais ocorreu após declarações feitas durante o primeiro debate do segundo turno entre os presidenciáveis em São Paulo. No encontro, o próprio parlamentar admitiu problemas no setor durante o mandato de seu pai: “De fato, a saúde não foi uma área que a gente teve o melhor resultado. Eu faço aqui esse mea-culpa”, declarou.
Em contrapartida, o chefe da pasta da Saúde relembrou indícios de irregularidades que ultrapassam R$ 100 milhões em recursos destinados ao combate à pandemia. Padilha também traçou um paralelo entre o senador e o desempenho do general Eduardo Pazuello, que liderou a pasta no governo anterior.
Denúncias sobre hospitais federais do Rio
A discussão ganhou contornos mais tensos quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou Flávio de instituir cobranças de estacionamento para servidores em uma unidade médica federal. O senador respondeu no palco, acusando o oponente de estar “vomitando um monte de mentiras”.
Padilha reforçou a acusação e detalhou que profissionais do Hospital Federal Cardoso Fontes relataram a existência de cobranças indevidas de funcionários e pacientes para o uso de vagas. De acordo com o ministro, aliados do senador foram indicados para diretorias do hospital, diretores contrários às nomeações acabaram demitidos e contratos fechados sem concorrência chegaram a representar cerca de 70% das contratações.
Cenário da corrida eleitoral no 2º turno
O embate entre os dois candidatos, realizado na capital paulista com duas horas de duração e mediação dos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, marcou a reta final da campanha. As pesquisas de intenção de voto apuradas entre 3 e 17 de outubro apontam Flávio numericamente à frente em 11 de 13 levantamentos nacionais consolidados, com Lula em vantagem em um deles. Na sondagem mais recente, os dois concorrentes aparecem empatados com 50% dos votos válidos para a decisão marcada para 25 de outubro.







