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Lula aponta abstenção recorde como principal obstáculo para o segundo turno

Estratégia do petista para os próximos dias foca em atrair eleitores faltosos e expor o adversário Flávio Bolsonaro

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Lula destaca abstenção como maior desafio para o 2º turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliou que o principal obstáculo de sua campanha para o segundo turno das eleições de 2026 será o comparecimento às urnas, após o pleito registrar o maior índice de ausência desde 1998.

Recorde de ausência nas urnas

Na primeira etapa da votação, realizada no domingo (4.out.2026), um total de 33.444.876 cidadãos aptos deixaram de votar, o equivalente a 21,08% do eleitorado nacional.

A constatação foi debatida nesta segunda-feira (5.out.2026) durante um encontro estratégico da coordenação de campanha para analisar os resultados e redefinir os rumos da disputa rumo à presidência.

“Mas tem uma coisa em que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Elas perderam o sentido de responsabilidade? Elas não foram convencidas? Elas não gostam dos candidatos?”, disse o presidente.

Para o chefe do Executivo, o comportamento do eleitor reflete um forte quadro de desinteresse que precisa ser revertido rapidamente pela militância e pelos partidos aliados nas próximas semanas.

“E a responsabilidade é nossa, é devolver a eles o interesse de participar do processo eleitoral”, completou o candidato petista.

Cenário da disputa presidencial

O chefe do Executivo encerrou a votação inicial na segunda colocação, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) terminou na liderança ao alcançar 47,03% dos votos válidos, superando os 45,16% obtidos pelo atual mandatário.

A meta traçada pela equipe governista é reverter esse cenário em uma arrancada histórica, reduzindo drasticamente o índice de faltosos até o novo pleito.

Em vez de focar em ataques sistemáticos ao oponente, o direcionamento interno é realizar uma autocritica profunda dos erros cometidos na primeira fase da corrida ao Palácio do Planalto.

“Nós temos que procurar o que foi que nós não fizemos corretamente e que a gente agora tem que fazer. Em 20 dias, temos que fazer mais rápido e mais bem feito. Esse é o desafio”, afirmou.

Críticas ao principal oponente

Durante o encontro com correligionários, o mandatário também direcionou ataques diretos a Flávio Bolsonaro, rotulando o concorrente de direita com termos duros de cunho político.

“São 20 dias em que a gente vai ter que colocar para fora o que deveríamos ter colocado o ano inteiro. Para desnudar o que está por trás da eleição de um possível herdeiro do fascismo deste País”, afirmou.

O líder do Planalto argumentou ainda que sua chapa representa o verdadeiro polo antissistema, contrapondo sua trajetória à imagem do adversário político na disputa nacional.

“Não é possível este país, depois de passar por 23 anos de regime militar… este país, que teve um candidato que ganhou as eleições dizendo ser antissistema, quando ele é a própria cara do sistema! Ele é a cara do sistema. E, se nós não explicarmos isso para a sociedade, é um grande defeito nosso”, afirmou.

Por fim, o político avaliou que o atual cenário de divisão ideológica é uma tendência internacional consolidada, descartando o surgimento de alternativas moderadas no atual momento histórico.

“No mundo inteiro as eleições são polarizadas. Nunca surgiu 3ª via quando éramos nós e o PSDB, e não está surgindo agora a 3ª via”, disse.

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