O principal indicador da bolsa brasileira registrou forte alta nesta segunda-feira (5.out.2026), logo após a apuração das urnas do primeiro turno. Por volta das 10h19, o índice saltava 7,98%, atingindo a marca de 207.437,45 pontos.
Reação dos investidores ao cenário político A euforia do mercado financeiro esteve diretamente ligada aos desdobramentos da disputa presidencial. O pleito de 2026 consolidou uma guinada à direita sem precedentes na política nacional desde o encerramento do regime militar em 1985.
O senador Flávio Bolsonaro, candidato pelo PL, encerrou a primeira etapa da votação na liderança, superando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com um placar de 47,03% a 45,16%. O parlamentar obteve uma marca expressiva, superando em 5 milhões de votos o desempenho registrado por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no pleito de 2022. A decisão final ocorrerá em segundo turno marcado para o dia 25 de outubro.
Perspectivas para a economia e investimentos Especialistas apontam que a perspectiva de mudança na condução econômica do país foi o principal motor para a valorização dos ativos. Para Tatiana Goes, economista e CEO da GoesInvest, a reação positiva reflete a confiança na abertura de um ambiente mais propício aos capitais privados. “O mercado passou a enxergar uma possibilidade maior de alternância de poder e, sobretudo, de uma agenda econômica com maior ênfase em disciplina fiscal, controle dos gastos, reformas e ambiente favorável ao investimento privado. Essa mudança reduz o prêmio de risco exigido para investir no Brasil”, disse.
Apesar do otimismo inicial, a especialista alerta que o cenário até a definição do pleito será de instabilidade. “Pesquisas eleitorais, apoios políticos, declarações de candidatos e sinalizações sobre a futura equipe econômica podem provocar movimentos relevantes no dólar, na Bolsa e nos juros”, afirmou.
Expectativas sobre o arcabouço fiscal Outro fator determinante para o apetite ao risco foi a expectativa em torno de novas diretrizes para as contas públicas. Bruno Perri, economista-chefe e sócio fundador da Forum Investimentos, avalia que o mercado projeta mudanças estruturais com nomes associados à campanha, como Daniella Marques e Adolfo Sachsida. “Esse arcabouço fiscal permite que se tenha uma expectativa diferente para a dinâmica de dívida bruta”, afirmou o economista.
O otimismo também alcança o mercado de capitais a médio prazo. Gustavo Bertotti, economista e head de renda variável da Fami Capital, destaca que a promessa de rigor nas contas públicas pode abrir espaço para novos ventos na economia real e financeira. “Na minha percepção também há uma expectativa talvez de uma reabertura de empresas novas na Bolsa, IPOs”, declarou.








