O governo dos Estados Unidos revogou o visto de entrada de 26 autoridades e empresários de países latino-americanos, incluindo o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca. A decisão ocorre em meio a investigações conduzidas pelo Ministério Público boliviano contra Fernando Cerimedo, marqueteiro político e operador digital de líderes conservadores na região.
Contexto das investigações
Cerimedo ganhou notoriedade internacional ao prestar assessoria digital para campanhas presidenciais na América Latina, como a de Javier Milei na Argentina. Na Bolívia, o estrategista digital foi alvo de apurações após a polícia localizar uma estrutura voltada para a manipulação de debates nas redes sociais em um imóvel associado a ele. O marqueteiro também responde a acusações de tentativa de feminicídio contra a ex-companheira Nadia Beller, além de suspeitas de tráfico de drogas e enriquecimento ilícito.
A publicação britânica The Economist rotulou o marqueteiro como “o homem do Maga na América Latina”, fazendo referência direta ao movimento político associado ao presidente norte-americano Donald Trump.
Justificativa de Washington
A medida foi adotada pelo Departamento de Estado dos EUA, sob a gestão de Marco Rubio, como desdobramento da iniciativa Escudo das Américas. A estratégia busca combater o narcotráfico na região e sancionar indivíduos acusados de corrupção. Em nota oficial, o governo norte-americano afirmou:
“Essa política restringe vistos para estrangeiros – e seus familiares imediatos – que prejudicam um governo democraticamente eleito por meio de corrupção ou atividades de narcotráfico em nossa região”
A administração dos EUA alegou especificamente que o procurador-geral boliviano teria cometido abusos de poder. O comunicado apontou que:
“[Mariaca] abusou de seus cargos públicos ao solicitar e aceitar subornos para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça”
Reação do governo e do Ministério Público boliviano
Em resposta oficial, Roger Mariaca rejeitou as acusações e classificou a restrição diplomática como uma ingerência indevida. O chefe do Ministério Público da Bolívia declarou:
“Sabemos também que algumas investigações têm implicações que transcendem as fronteiras nacionais. O caso denominado Cerimedo, por exemplo, gerou preocupações e repercussões em diferentes ámbitos políticos”
O procurador-geral também enfatizou que:
“Nenhuma pressão política, nacional ou internacional pode se transformar em um impedimento para esclarecer questões que devem ser investigadas”
Reforçando a posição de independência institucional, Mariaca pontuou:
“O povo boliviano tem direito a conhecer a veracidade das denúncias que foram apresentadas, incluindo aquelas relacionadas com ameaças de corrupção relacionadas aos combustíveis”
Por sua vez, o governo do presidente Rodrigo Paz anunciou que buscará esclarecimentos adicionais junto a Washington antes de instaurar qualquer apuração interna. O ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, declarou:
“As declarações e acusações dos Estados Unidos são bastante sérias, e o governo as encara com a máxima seriedade”
O porta-voz da Presidência, Fernando Aramayo Carrasco, complementou informando que a administração local dará suporte institucional aos desdobramentos:
“Vamos prestar toda a colaboração, para que se adiantem as investigações e as ações que correspondem à institucionalidade boliviana”








