–:–:–
Conecte-se conosco

Ocde aponta que 9% dos professores brasileiros não têm qualificação plena

Levantamento internacional revela os principais desafios na formação, contratação e evasão de docentes nas escolas públicas do país.

44 visualizações
OCDE: 9% dos professores no Brasil não têm qualificação completa

Um levantamento divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que 9% dos docentes da educação básica pública brasileira não tinham qualificação completa entre 2024 e 2025. O índice nacional fica muito próximo da média registrada entre os países membros do bloco, que é de 9,1%, considerando profissionais sem diploma, sem certificação adequada ou sem a devida formação pedagógica.

Falta de docentes em regiões vulneráveis

O estudo Panorama da Educação 2026 (Education at a Glance) destaca que a contratação de profissionais sem o padrão exigido acontece principalmente devido à escassez de mão de obra. No Brasil, essa carência afeta de forma mais severa as áreas remotas ou em situação de vulnerabilidade, com foco expressivo nas disciplinas de matemática e ciências naturais.

“O professor é decisivo para a aprendizagem. É quem percebe onde cada estudante encontra dificuldades, adapta o ensino e ajuda a transformar conhecimento em possibilidades de vida. Por isso, valorizar os professores é uma escolha sobre o futuro do Brasil”, disse o superintendente-executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques.

Crescimento de docentes e queda nas matrículas

Apesar da redução no total de estudantes, o país registrou expansão no quadro de professores nos anos iniciais do ensino fundamental. De 2015 a 2024, o número de mestres aumentou 4%, enquanto o volume de matrículas sofreu uma retração de 7%. No cenário internacional da OCDE, o crescimento de docentes nas escolas primárias públicas e privadas atingiu média de 13%, ao passo que o número de alunos subiu apenas 2%.

Projeções da própria organização indicam que a população de crianças entre 5 e 14 anos no Brasil cairá 3% no período de 2024 a 2033, o que deve amenizar a demanda por novos educadores, caso as diretrizes atuais permaneçam inalteradas.

Evasão e desafios na permanência

Para o superintendente-executivo do Instituto Unibanco, Ricardo Henriques, a questão não deve ser analisada apenas pelo número de professores formados.

“É preciso saber quem chega à escola, com que formação, para ensinar qual disciplina, em que território e por quanto tempo consegue permanecer”, afirmou.

Os dados mostram que a evasão de profissionais agrava a falta de pessoal. Em 2022, 10,3% dos professores plenamente qualificados deixaram a profissão no Brasil por demissão ou aposentadoria, superando a taxa média de 6,4% observada na OCDE durante o ano letivo de 2024-2025.

Insatisfação salarial e condições de trabalho

Fatores como remuneração, ambiente escolar, autonomia e apoio das famílias pesam diretamente na atratividade da carreira. Em 2022, apenas 44,3% dos professores dos anos finais do ensino fundamental no Brasil aprovavam suas condições de trabalho, frente a uma média de 68,4% na OCDE. No quesito salarial, o contentamento foi de 22,3% no país, contra 38,7% no bloco internacional.

Em resposta, o Ministério da Educação (MEC) enfatiza a manutenção do Piso Nacional do Magistério, fixado atualmente em R$ 5.130,63, além de estratégias como o programa Mais Professores para o Brasil, lançado em 2025.

Outra frente de atuação é o programa Pé-de-Meia Licenciaturas. Segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini, a iniciativa atraiu novos talentos para a docência.

“Com o Pé-de-Meia Licenciaturas, aumentamos em 106% as matrículas de estudantes de alto desempenho no Enem, de 2024 a 2026. Cada vez mais, jovens estão enxergando na docência um projeto de vida”, avaliou Barchini, em nota à imprensa.

Segunda carreira e panorama histórico

O relatório também aponta a transição profissional como alternativa para suprir vagas abertas. Em 2024, 11,5% dos docentes dos anos finais do ensino fundamental no Brasil vinham de uma segunda carreira, índice superior à média de 8,4% registrada entre as nações da OCDE.

“Ainda há desafios históricos a enfrentar, mas o Brasil voltou a ter uma política estruturada, contínua e abrangente para formar, atrair, reconhecer e valorizar seus professores”, afirmou Barchini.

O levantamento estatístico conta com o suporte do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo tratamento das informações nacionais enviadas à organização internacional desde 1997.

Mais em Educação

Ver tudo →