A Morningstar adotou uma postura de forte preferência pelo mercado brasileiro em suas alocações globais, destacando o país ao lado do México como as principais apostas fora da Ásia dentro do universo de países emergentes. Enquanto a gestora mantém recomendação de compra para mercados em desenvolvimento, a África do Sul foi deixada de lado nos portfólios devido ao ritmo lento de sua economia e à falta de exposição ao setor tecnológico global.
O cenário contrastante na África do Sul
Enquanto o índice de ações emergentes MSCI registra forte alta impulsionada por empresas asiáticas de inteligência artificial, a bolsa sul-africana caminha para o primeiro recuo anual desde 2022. O país enfrenta um crescimento econômico inferior a 1% ao ano há mais de uma década, agravado por pressões geopolíticas e recentes elevações de juros pelo banco central local.
Sobre a ausência de empresas locais nos setores mais dinâmicos da economia global atual, Sean Neethling, chefe de investimentos da empresa na África do Sul, destacou: “Se você olhar para a África do Sul no nível das empresas, não há muitas na linha de frente do que está movendo os mercados agora em inteligência artificial e tecnologia”.
O executivo complementou: “A África do Sul não tem esse fator de crescimento que muitos outros mercados emergentes têm neste momento.”
Os diferenciais de Brasil e México
Diferente da realidade sul-africana, o Brasil se destaca por abrigar gigantes corporativas como a Petrobras e a Vale, que participam ativamente do ciclo global de commodities, além de contar com instituições bancárias sólidas e bem capitalizadas. Já o território mexicano atrai capital estrangeiro por meio de companhias consolidadas nos setores industrial e de consumo básico.
Entre as principais convicções da Morningstar no mundo, a China lidera as preferências, seguida pela Coreia do Sul, cujos ativos ganharam atratividade após correções recentes.
Oportunidades em renda fixa
Apesar do pessimismo com as ações da África do Sul, a gestora reconhece que os títulos de renda fixa locais oferecem retornos expressivos para quem investe na moeda local, posicionando-se positivamente nesses ativos em razão dos rendimentos atrativos em comparação a outros países.
Sobre essa oportunidade específica, Neethling pontuou: “Para investidores em rand, a África do Sul oferece um valor realmente atrativo e convincente, principalmente no mercado de títulos, onde os yields absolutos e até o vencimento estão entre os mais atrativos dos emergentes, atrás apenas do Brasil”.








