O Auditório do Paço Municipal de Matinhos sediou a primeira audiência pública para debater o projeto de implantação do sistema de estacionamento rotativo pago. O encontro reuniu moradores, comerciantes, vereadores, secretários municipais e o prefeito Eduardo Dalmora (PL) para discutir as regras de ordenamento do trânsito na região central e em balneários.
Tramitação e estudos técnicos
O Projeto de Lei do Executivo 024/2026, que cria o Sistema de Estacionamento Rotativo Pago de Veículos, está em análise na Câmara e foi retirado temporariamente de pauta pela Prefeitura para novos debates. Durante a reunião, o diretor de Trânsito e Urbanismo de Ibiporã e responsável pelo estudo de viabilidade, Clóvis Bordinoski, apresentou os dados preliminares da proposta.
Segundo o especialista, a medida visa aumentar a circulação de pedestres no comércio, otimizar o uso das vagas e reduzir congestionamentos e emissão de poluentes. A cobrança será 100% digital por meio de aplicativo e funcionará o ano todo: de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h; aos sábados, das 9h às 18h; e aos domingos, das 9h às 17h. O texto prevê flexibilidade de horários “mediante aviso e comunicação prévia mínima de 72 horas quando o serviço estiver sob contrato de concessão.”
Polêmica sobre o tempo de permanência nas praias
As tarifas exatas serão definidas posteriormente por decreto municipal. Contudo, o tempo máximo de permanência gerou forte debate: duas horas no centro e apenas uma hora na orla. A restrição foi criticada por frequentadores e empresários locais, que temem a perda de visitantes para municípios vizinhos.
“O turista vai vir, ele vai chegar aqui e dizer ‘pera aí, eu não posso parar na praia? Então vamos para Guaratuba ou Pontal, que podemos ficar dia inteiro’. Eu trabalho há 30 anos na praia, e acho que tem que rever isso aí, porque vai prejudicar muito o comerciante”, disse Júlio, do Quiosque do Alemão.
Outro participante reforçou a insatisfação com a regra litorânea.
“Essa parte do rotativo na beira da praia eu não vejo nenhum benefício para o turista, porque já há uma disputa pelas vagas. Quando ele encontrar uma vaga, ele desce com a sua família e ele vai fazer o quê? Ele vai sair da beira-mar, depois de uma ou duas horas para procurar um outro canto para o carro?”, questionou um morador.
Felipe Nascimento, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Matinhos (Acima), também apontou a necessidade de rever a sazonalidade e a duração permitida nas vagas próximas à areia.
“Um projeto que, de fato, atenda a população e que vai ser algo que vai ser bom, tanto para o município, quanto para a população local. A gente tem a questão da sazonalidade. Por exemplo, fora do verão não precisa ter estacionamento rotativo na praia, na Praia Mansa. Mas no verão precisa. E talvez o tempo, não dá para ser uma ou duas horas, tem que ser seis horas”, defendeu.
Isenções e regras de sinalização
O texto regulatório estabelece isenção para veículos de duas rodas, como motos e bicicletas elétricas, desde que estacionados em áreas específicas. Vagas especiais serão destinadas a Pessoas com Deficiência (2%) e idosos (3%), além de espaços voltados a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Fibromialgia. A empresa concessionária vencedora da licitação de cinco anos também será obrigada a instalar sinalização vertical informativa em todo o trecho atendido.
Panorama em outros municípios litorâneos
Enquanto Matinhos avalia o modelo, outras cidades praianas adotam formatos flexíveis para o período de permanência. Em Ubatuba (SP), há diárias específicas para visitantes nas praias. Em Cabo Frio (RJ) e Arraial do Cabo (RJ), funcionam sistemas com opções de longa permanência na orla. Já João Pessoa (PB) utiliza a Zona Azul com pagamentos por aplicativo e totens.
Ao término do evento em solo paranaense, parlamentares sugeriram que o próximo debate sobre o tema aconteça diretamente no plenário da Câmara Municipal.








