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Por que astros como Messi e CR7 compram clubes pequenos

Baixo custo de entrada, alto potencial de valorização e poder de marketing explicam a corrida de atletas para divisões inferiores da Europa

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Entenda por que craques do futebol estão comprando clubes pequenos pelo mundo

O mercado da bola assiste a uma transformação silenciosa e estratégica nos bastidores financeiros: grandes estrelas do gramado estão se tornando proprietárias de agremiações modestas. Nomes históricos como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo têm direcionado parte expressiva de seus patrimônios para a aquisição de fatias societárias em equipes fora dos holofotes da elite internacional, aproveitando um modelo de negócio altamente promissor.

O astro argentino, por exemplo, adquiriu a totalidade das ações da Unió Esportiva Cornellà, instituição catalã focada na formação de atletas e que atua na Tercera Federación, equivalente ao quinto nível espanhol. Em paralelo, encaminhou a compra de 100% do Eldense, clube da segunda divisão local gerido anteriormente pelo grupo TH Soluciones — transação pendente de homologação pelo Conselho Superior de Esportes da Espanha. Já Cristiano Ronaldo garantiu 25% do Almería por meio da CR7 Sports Investments. Esse caminho também foi trilhado por figuras como Kylian Mbappé, N’Golo Kanté, Gerard Piqué, David Beckham e Zlatan Ibrahimovic.

Aporte reduzido e alta margem de crescimento

A explicação central para essa tendência está na barreira de entrada e no potencial de valorização patrimonial. Comprar um clube de primeira linha mundial exige bilhões, enquanto as divisões inferiores demandam quantias consideravelmente mais acessíveis e oferecem uma margem de expansão muito mais elástica.

Para quem investe, o acesso a divisões superiores eleva a arrecadação de forma exponencial. Segundo Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no futebol:

“O profissionalismo é a chave para o sucesso no futebol. Quando investidores compram clubes de menor porte, independentemente de uma relação “passional” anterior, a gestão é feita baseada em critérios empresariais, com foco em resultados financeiros e, como consequência, esportivos”

Assayag complementa detalhando a lógica matemática dessa categoria de aposta esportiva:

“Em divisões menos competitivas, o nível de investimento demandado é menor e o potencial de crescimento de receitas, logo, de lucros, é mais rápido. O mercado chama isso de potencial de “upside”, que, por ser maior, indica um potencial de retorno mais rápido do investimento feito.”

O peso midiático como catalisador de receitas

Diferente de fundos e empresários tradicionais, jogadores icônicos carregam marcas globais e centenas de milhões de seguidores nas redes sociais. A chegada dessas figuras projeta times regionais no radar do consumo mundial quase que instantaneamente, atraindo novos patrocinadores, licenciamento de produtos e torcedores.

Essa capacidade de alavancagem independe até mesmo do volume societário detido pelo atleta, conforme destaca Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil:

“Mesmo a compra de um percentual irrelevante no processo decisório, se feita por uma celebridade, gera repercussão que extrapola o próprio noticiário esportivo. Traz interesse, ainda que em subprodutos dos clubes e suas marcas”

Freitas avalia ainda que o fluxo de aportes externos no esporte tende a se intensificar nas próximas temporadas:

“Veremos ao longo dos próximos anos pelo menos dezenas ou mesmo uma centena de celebridades da indústria da música e do cinema incorporando à sua carteira de investimentos participações minoritárias e pontuais entre os seus ativos alternativos. É um movimento sem volta de propaganda implícita desses ativos, agora financeiros.”

O modelo de sucesso de Hollywood com o Wrexham

Essa dinâmica foi consolidada comercialmente fora do meio futebolístico pelos atores Ryan Reynolds e Rob McElhenney. Ao adquirirem a agremiação galesa Wrexham em 2021, até então na quinta divisão inglesa, a dupla aliou o esporte ao entretenimento por intermédio de séries documentais, gerando ascensão esportiva e um retorno financeiro sem precedentes.

O êxito inspirou novos passos dos atores de Hollywood, que integraram um consórcio — com nomes como Eva Longoria — para investir na equipe colombiana La Equidad, comprovando que a fusão entre fama, gestão empresarial e clubes de menor escala é uma das fórmulas de maior expansão na indústria moderna do esporte.

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