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Peter Frampton ganha documentário íntimo sobre altos e baixos na música

Novo filme explora desde a infância do guitarrista em Londres até a luta contra uma doença muscular degenerativa.

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Quase entrando para o The Who e as frustrações de ser ídolo teen: o que aprendemos com o novo documentário de Peter Frampton

A trajetória de Peter Frampton é amplamente conhecida pelos entusiastas do rock clássico. O guitarrista rompeu com o Humble Pie em 1971 para seguir carreira solo, alcançou o estrelato mundial com o disco ao vivo Frampton Comes Alive! em 1976 e protagonizou o fracasso cinematográfico Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band em 1978. Após anos tentando recuperar o fôlego profissional, ele retornou aos grandes palcos graças ao amigo de infância David Bowie durante a turnê Glass Spider.

Novo documentário revela bastidores inéditos Contudo, essa breve síntese deixa de lado diversos episódios marcantes. Para preencher essa lacuna, Rob Arthur dirigiu o documentário íntimo Frampton, que estreou no Festival de Cinema de Tribeca e passou pelo Festival de Cinema de Nashville. A produção retrata a vida do músico desde os primeiros passos em Londres, passando por bandas como The Herd e Humble Pie, até o sucesso avassalador de Frampton Comes Alive!.

A reviravolta na saúde e os desafios da fama A segunda metade do longa aborda os momentos dramáticos vividos após o auge comercial. Entre os temas estão um grave acidente automotivo, o fim do primeiro casamento, a dependência química em cocaína, a perda de sua fortuna devido a uma gestão financeira falha e o diagnóstico de miosite por corpos de inclusão, condição que afeta sua mobilidade e capacidade de tocar.

O filme se apoia em material de arquivo e depoimentos de familiares, colegas de banda e grandes nomes como Roger Daltrey, Tom Morello, Sheryl Crow, Cameron Crowe, Herb Alpert, Glyn Johns e Kate Hudson. Entre os relatos, destacam-se dez aprendizados fundamentais sobre a vida do artista.

Primeiras gravações com Bill Wyman Na adolescência, aos 14 anos, Frampton integrou o grupo de R&B The Preachers e gravou a faixa “Hole in My Soul” sob a produção de Bill Wyman, baixista dos Rolling Stones. Foi o batismo do jovem músico em estúdios profissionais.

“Você estava tocando frases de jazz incríveis”, recorda Wyman no documentário, sentado ao lado de Frampton. “Pensei: ‘Meu Deus, esse cara é incrível. Onde diabos ele aprendeu a tocar assim? Ele deve ter ouvido Django Reinhardt ou Les Paul.’”

O incômodo com o rótulo de ídolo teen Antes da consagração mundial, o sucesso do The Herd atraiu atenção da mídia principalmente para a aparência de Frampton, rotulado como “O Rosto de 68” e capa de publicações voltadas a adolescentes, enquanto o restante da banda era deixado de lado.

“A banda não ficou muito feliz, e eu também não”, afirma. “E aquilo foi meio que o começo do fim do Herd.”

Parceria inesquecível com George Harrison Embora não tenha recebido créditos oficiais, o violão de Frampton está presente em faixas do clássico álbum All Things Must Pass, de George Harrison. Durante as gravações nos estúdios Abbey Road, ele dividia momentos criativos diretamente ao lado do ex-Beatle.

“Se há violão no álbum, estou em praticamente todas [as músicas], mas não consigo me lembrar”, afirma. “Eu estava mais interessado nos momentos em que eles trocavam os rolos de fita, como faziam naquela época, porque George e eu começávamos a improvisar… As pessoas perguntam: ‘Qual foi a parte mais memorável da sua carreira?’ Todo mundo acha que vou dizer Frampton Comes Alive!. Eu respondo: ‘Sentar em dois banquinhos em Abbey Road, olhando através do vidro, tocando com George e conversando com Phil Spector.’”

A influência decisiva sobre Sheryl Crow Ainda na juventude, Sheryl Crow assistiu a uma apresentação de Frampton no Mid-South Coliseum, em Memphis, evento que marcou sua vida para sempre.

“Foi o meu primeiro show”, conta. “Foi literalmente o verão de Frampton. Você queria poder dizer que tinha ido àquele show. Para nós, saindo de uma cidade minúscula, com apenas alguns semáforos, fazendo aquela viagem, descendo lá dos lugares mais altos da arquibancada e conseguindo chegar até a pista — e aquele sendo o seu primeiro show… aquilo abriu o caminho para que eu pensasse: ‘Cara, como eu adoraria que esse fosse o seu trabalho.’”

O avanço do vício em cocaína Com a rotina intensa de viagens nos anos 1970 e a cobrança constante para manter o sucesso comercial, o consumo de entorpecentes escalou rapidamente na vida do guitarrista.

“As casas noturnas em Nova York só abriam à 1h da manhã”, conta. “Você nem precisava comprar drogas. Simplesmente enfiavam no seu nariz. Eu não percebia na época, mas tenho uma personalidade propensa ao vício. Na turnê de I’m in You, eu estava me automedicando mais do que nunca.”

O engano no filme de Sgt. Pepper A participação no projeto cinematográfico liderado por Robert Stigwood só aconteceu após a falsa promessa de que Paul McCartney estaria no elenco.

“Nós estávamos tocando em Wembley, e na noite anterior Paul McCartney e os Wings tinham se apresentado, então fui vê-los”, recorda Frampton. “Estou no camarim com Paul e Linda. Linda diz: ‘Paul, Peter vai fazer aquele filme de Sgt. Pepper.’ Eu disse: ‘Pelo jeito, vou encontrar você no set.’ Ele respondeu: ‘Por quê? Não. Я não faço parte disso. Não estou nesse filme.’ E eu já tinha assinado o contrato para fazer o filme.”

A oportunidade perdida com o The Who No início da década de 1980, Pete Townshend convidou Frampton para integrar o The Who como guitarrista de turnê, o que permitiria ao colega focar apenas nas composições. A demora em confirmar o convite com os demais integrantes custou a vaga ao músico.

“Eu disse: ‘Sério? Você já falou com Roger [Daltrey] e [John] Entwistle sobre isso?’”. Townshend respondeu que pretendia conversar com eles no dia seguinte. “Eu disse: ‘Pete, por que você não faz uma coisa por mim?’”, recorda Frampton. “‘Por que você não liga para eles e depois me telefona de volta?’”

O empréstimo com Ahmet Ertegun Diante da falência técnica e da dispensa de sua gravadora, Frampton precisou recorrer a uma ajuda financeira drástica para garantir sua sobrevivência básica.

“Precisei pedir dinheiro emprestado para viver”, afirma. “Procurei meu querido amigo, [fundador da Atlantic Records] Ahmet Ertegun, sentei no escritório dele e estava muito nervoso. Eu nunca tinha pedido dinheiro a ninguém na minha vida. Ele perguntou: ‘Quanto você precisa?’ Eu disse: ‘US$ 100 mil.’”

“Foi só isso. Fiquei arrepiado naquele momento. Fico arrepiado até hoje. Isso é um amigo. E, neste negócio, não existem muitos assim. Aquele foi um dos momentos mais baixos para mim.”

A revitalização da carreira pelas mãos de David Bowie Convidado por David Bowie para tocar guitarra no álbum Never Let Me Down em 1987, Frampton encontrou a porta de entrada para retornar aos grandes palcos e retomar sua trajetória musical.

“Eu agradeci muito a ele enquanto estava vivo”, afirma Frampton. “E agradeço a ele todos os dias. Foi quando as coisas começaram a acontecer novamente para mim. No início dos anos 1990, montei minha banda e voltei a fazer turnês. Eu estava de volta.”

A superação diante da miosite Atualmente, mesmo lidando com as limitações físicas impostas pela miosite por corpos de inclusão, Frampton mantém uma rotina rigorosa de exercícios e adapta sua técnica para continuar fazendo música.

“É incrível como consegui continuar e fazer o que faço”, afirma. “Estou aprendendo a fazer aquilo que ouço aqui [na minha cabeça] com dedos que talvez não queiram ir exatamente para o lugar que eu quero, na hora em que quero. Preciso encontrar outras maneiras de fazer isso. E estou até gostando desse processo.”

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