O astro do cinema de ação Sylvester Stallone abriu o jogo a respeito dos métodos drásticos que adotou no auge da carreira para transformar a própria silhueta. O artista relembrou os limites perigosos atingidos na busca pela estética exigida pelas grandes produções e revelou que os excessos deixaram sequelas permanentes em sua saúde.
Transtorno alimentar e índice extremo de gordura
A preparação para Rocky III: O Desafio Supremo (1982) marcou o período mais crítico enfrentado pelo ator. Para atingir o nível máximo de definição muscular nas filmagens, Stallone desenvolveu um quadro de distúrbio alimentar e viu sua gordura corporal despencar para níveis alarmantes.
“Virou uma obsessão. Uma obsessão realmente ruim. Chegou a um ponto em que fiquei bulímico. Primeira vez que falo disso. Cheguei a 2,6% de gordura corporal quando estava fazendo ‘Rocky III’, e não conseguia manter nada no estômago. Ou não queria manter porque fiquei tão obcecado em me manter naquele nível de condicionamento físico, literalmente uma espécie de culto obsessivo ao corpo”, lamentou.
Uso admitido de substâncias anabolizantes
Além da restrição calórica severa, o ator admitiu que recorreu a recursos farmacológicos para sustentar a musculatura trincada, afirmando categoricamente que era impossível exibir aquele porte físico apenas por vias naturais.
“Ninguém consegue fazer isso sem substâncias e drogas, ponto final. Não me importa o que digam. Não é como se você fosse um viciado, mas, se vai malhar e tentar se manter em forma durante seis meses seguidos, comendo iogurte e pudim, isso não vai acontecer”, pontuou.
Questionado sobre o consumo de esteroides, Stallone confirmou a prática e detalhou que administrava os ciclos de forma intercalada: “Meu Deus, você tem que tomar. Mas faz de uma maneira cuidadosa, seis semanas usando, seis semanas sem usar. As pessoas dizem: ‘Ah, você não fica daquele jeito naturalmente’. Não, não fica. Mas isso também teve um preço terrível”.
A concepção corporal de Rocky e Rambo
O intérprete também destacou que adaptava a própria compleição de acordo com a proposta de cada papel, traçando um paralelo direto com os padrões de outros ícones da época, como Arnold Schwarzenegger.
“Era a minha armadura. Eu olhei para Rocky: um cara muito bem definido, de aparência muito normal. E então pensei: ‘Acho que o personagem deve começar a ficar um pouco mais vaidoso’. E, em ‘Rambo’, estava interpretando um guerreiro, então seria um pouco mais animalesco. Não seria tão bem definido. Então pensei: ‘Molde seu corpo como o de uma onça, de um felino’. Não grande como o Arnold, mas mais selvagem e agressivo, e muito flexível e atlético”, explicou.
As marcas permanentes no corpo
O desgaste acumulado entre treinos intensos e gravações de cenas de ação sem dublês exigiu intervenções cirúrgicas de alta complexidade. Aos 80 anos, Stallone carrega no histórico uma longa lista de reparos ortopédicos.
“Passei por nove cirurgias nas costas, duas nos ombros e três fusões na coluna cervical. Tudo está preso com arame, mas ainda quero me manter em boa forma”, relatou.
Apesar da persistência para continuar ativo, o astro reconhece o peso das escolhas do passado e aconselha que outros profissionais não repitam seus erros. “Eu tomo muitos comprimidos para continuar seguindo em frente. Isso teve um preço terrível. Se pudesse voltar no passado, diria: ‘Deixe outra pessoa carregar a bandeira e não faça suas próprias cenas de ação’. Não sei o que havia em mim que me fazia querer me machucar o tempo todo”, concluiu.








