O paradeiro de uma verba de R$ 8 milhões anunciada para a reforma do Mercado do Peixe voltou ao centro dos debates em Paranaguá. O questionamento surgiu após cobranças na Câmara Municipal levantarem dúvidas sobre a localização e a aplicação efetiva do montante.
A articulação política e a origem da verba
A discussão ganhou força após esclarecimentos prestados pela deputada estadual Flávia Francischini (PL). A parlamentar detalhou que o montante não se tratava de uma emenda parlamentar tradicional, mas sim de uma articulação financeira realizada junto ao Governo do Paraná para beneficiar o município litorâneo.
“Minha função foi fazer a viabilização do recurso do Governo do Estado para a Prefeitura. Foi isso que fiz naquela ocasião. Inclusive, fizemos um vídeo anunciando essa intermediação”, afirmou.
O processo começou a ser desenhado entre o final de 2024 e o início de 2025, período em que demandas dos feirantes foram levadas à Casa Civil. Em janeiro de 2025, uma comitiva liderada pela deputada, pelo prefeito Adriano Ramos (Republicanos) e pelo então presidente do Instituto Água e Terra (IAT), José Luiz Scroccaro, visitou o local para alinhar melhorias como a ampliação de boxes e a instalação de refrigeradores.
O impasse na elaboração do projeto
Segundo a deputada, a liberação efetiva do dinheiro estava condicionada a etapas administrativas de responsabilidade da administração municipal, o que acabou não ocorrendo dentro do esperado.
“O projeto era de responsabilidade da Prefeitura, e o IAT faria a análise, a fiscalização e a autorização”, afirmou.
A parlamentar apontou que a ausência de um projeto técnico impediu o avanço para a fase de licitação. “A licitação não aconteceu porque o projeto não foi feito. Não sei se foi por falta de tempo hábil ou o que aconteceu”, declarou. Questionada sobre o futuro do montante, a deputada pontuou: “Eu acho que não, mas não sei como ficou essa situação”.
A versão da Prefeitura e a integração com a orla
Do lado da administração municipal, a secretária de Planejamento e Gestão, Vania Foes, alegou que o valor não foi localizado nos registros oficiais da cidade.
“Essa verba, que seria para a obra do Mercado do Peixe, nós não achamos em lugar nenhum no nosso município”, declarou.
Em contrapartida, a deputada reforçou que, por não ser emenda, a quantia não apareceria sob essa rubrica nos cofres municipais. Além disso, houve divergências sobre o escopo das obras: enquanto o município vincula o espaço à ampla revitalização da Orla do Rio Itiberê, a parlamentar sustenta que os R$ 8 milhões tratavam inicialmente de uma proposta isolada para o mercado.
Por fim, o IAT confirmou que o equipamento público foi incorporado a um projeto maior de R$ 47 milhões na região. A estrutura atual deve ser demolida para virar estacionamento, enquanto a nova fase aguarda o cumprimento de exigências do Iphan e trâmites de licenciamento ambiental para iniciar os 12 meses previstos de obras.








