Um levantamento recente divulgado pelo Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago aponta que o Super El Niño pode provocar até 13,3 mil mortes no Brasil. O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico coloca o país como o mais atingido da América Latina pelo fenômeno climático extremo.
Impacto global e previsões científicas
Globalmente, o estudo projeta 451 mil óbitos em todo o planeta até fevereiro de 2027 devido à intensidade do evento meteorológico. As nações do Sul global concentram as situações mais alarmantes no ranking de mortalidade.
“Há muito tempo, conseguimos prever os impactos das temperaturas nas colheitas e agora podemos prever o impacto no pior cenário possível: a morte”, afirma Michael Greenstone, cofundador do Laboratório de Impacto Climático e professor na Universidade de Chicago.
“Esse número (…) inclui pais e filhos, avós e vizinhos, pessoas que vão trabalhar, cuidam de suas famílias e vivem suas vidas”, complementou o cientista norte-americano, ao alertar sobre a mortalidade.
Regiões brasileiras mais vulneráveis
O Brasil ocupa a quinta posição mundial entre os países com maior número estimado de vítimas fatais, ficando atrás apenas de Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria. No território nacional, os estados do Norte e Nordeste registrarão os índices mais elevados, com destaque para o Pará, que pode contabilizar 2,3 mil mortes, seguido por Maranhão (1,3 mil), Amazonas e Bahia (1,2 mil cada).
Diante do cenário, o governo brasileiro articula a instalação de bases da Força Nacional do Sistema Único de Saúde, equipadas com profissionais para atuar em situações de emergência sanitária durante o período crítico previsto para o verão.
Um alerta para o futuro climático
Os pesquisadores classificam o fenômeno atual como um indicativo do que aguarda o planeta nas próximas décadas caso as mudanças climáticas avancem sem controle.
Para mitigar os danos, especialistas reforçam a necessidade de ações humanitárias imediatas, como criação de centros de resfriamento, distribuição de água e emissão de alertas meteorológicos direcionados às populações de maior risco.
“Aumentar a capacidade de resposta a emergências e direcionar melhor nossos esforços pode salvar muitas vidas este ano. Mas, daqui a 20 anos, quando as temperaturas extremas de hoje se tornarem a nova normalidade, não queremos estar em constante estado de emergência”, disse Tamma Carleton, coautora do relatório.
Chefe de pesquisa do Laboratório de Impacto Climático e professora assistente da Universidade da Califórnia, Berkeley, ela alerta: “Precisamos mobilizar recursos agora para projetar, implementar e avaliar as ferramentas de preparação e planejamento que salvarão vidas nos próximos anos.”








