Os bonds estrangeiros emitidos pela Companhia Siderúrgica Nacional registraram uma das maiores valorizações entre os mercados emergentes logo após a divulgação de seu novo executivo-chefe, impulsionados pela expectativa de que a empresa finalmente consiga concretizar seu plano de venda de ativos para aliviar sua dívida.
A transição no comando da siderúrgica
A nomeação de Fabio Schvartsman, ex-presidente da Vale, ocorreu em 2 de setembro, marcando o fim de duas décadas de liderança direta de Benjamin Steinbruch à frente das operações da gigante do aço. A escolha foi bem recebida por bancos credores e acionistas como o início de um novo ciclo corporativo, colocando uma liderança externa no comando de negociações complexas que estavam estagnadas há anos.
“É um movimento positivo e simbiótico”, disse Nicolas Giannone, analista da Balanz. Segundo ele, embora Steinbruch continue como presidente do conselho, a mudança “dá um novo rosto a uma ‘nova’ CSN e reafirma a intenção de reduzir a alavancagem e simplificar o negócio”.
Desde a oficialização da mudança na diretoria executiva, os papéis denominados em dólar da corporação acumularam um rendimento médio de 5%, enquanto o índice geral de dívidas corporativas de mercados emergentes registrou queda de 0,5% no mesmo intervalo.
Negociações avançadas para a venda de ativos
As tratativas mais aceleradas envolvem a divisão de cimentos, cujo desfecho pode ser anunciado em breve. Interessadas como Huaxin, Polimix e Votorantim apresentaram ofertas vinculantes próximas a R$ 11 bilhões cada, quantia inferior aos R$ 15 bilhões inicialmente almejados pela companhia, que avalia aceitar os lances. Essa mesma divisão havia sido dada como garantia bancária para um empréstimo mínimo de US$ 1,2 bilhão obtido no primeiro trimestre.
Além disso, a empresa negocia a transferência da Stahlwerk Thuringen, unidade fabril situada na Alemanha e comprada em 2012 por US$ 634 milhões, além de propostas direcionadas a fatias de infraestrutura. Investidores institucionais da CSN Mineração também articulam a ampliação de suas participações acionárias, aproveitando o momento de baixa nos preços, com destaque para a Itochu Corporation e sua subsidiária Japão Brasil Minério de Ferro Participações Ltda.
Desafios financeiros e perspectivas de mercado
Historicamente visto como um negociador inflexível, Steinbruch manteve o controle rígido das operações, cuja última transação de venda de controle ocorreu em 2018 com a operação norte-americana CSN LLC. Analistas acreditam que a bagagem de Schvartsman em grandes indústrias e no setor de recursos naturais será fundamental.
Cesar Fernandez, sócio da Alpha Credit Advisors Ltd., disse que o novo CEO tem capacidade de acelerar o programa de venda de ativos da CSN e conter “uma trajetória de alavancagem que vem piorando há anos”.
Ainda há um longo caminho de recuperação, visto que os títulos em dólar acumulam perdas médias de 11,2% em 2026, pressionados pelo temor inicial de que a empresa sofresse com o patamar elevado da taxa básica de juros no Brasil. A queima de caixa persiste, refletida no décimo trimestre consecutivo no vermelho, com prejuízo líquido ajustado de R$ 773 milhões e uma dívida líquida que atingiu R$ 42,1 bilhões em junho, elevando a alavancagem a 3,5 vezes o Ebitda.
A reputação prévia do novo executivo também é vista com bons olhos por credores, recorda Daniel Sasson, do Itaú BBA, ao citar a condução bem-sucedida de projetos de expansão na Klabin.
“O novo executivo tem um histórico forte e já conduziu a empresa por períodos de incerteza quando estava na Klabin e na Vale”, disse Manuel Mondia, gestor de portfólio da Aquila Asset Management. “A notícia sobre a nova gestão tirou os bônus das mínimas, e uma alta adicional agora depende da execução dos planos da companhia.”








