O ritmo de expansão da indústria manufatureira na zona do euro registrou uma leve retração no décimo mês do ano, pressionado por gargalos na cadeia de suprimentos e pelo encarecimento dos custos operacionais, conforme dados divulgados recentemente.
Desempenho do índice de gerentes de compras
O Índice de Gerentes de Compras (PMI) do Setor Manufatureiro recuou para 52,7 em outubro, ficando abaixo dos 52,9 registrados em setembro, mês que havia alcançado a maior marca desde maio de 2022. Apesar da queda, o resultado superou a estimativa preliminar de 52,4, mantendo-se acima da marca de 50,0, que separa o crescimento da contração.
“Mais um resultado sólido do PMI prolonga o melhor período de crescimento do setor manufatureiro da zona do euro em mais de quatro anos”, afirmou Chris Williamson, economista-chefe de negócios da S&P Global Market Intelligence.
Resiliência fabril frente aos desafios globais
A demanda por novos produtos avançou em um ritmo menos acelerado em outubro, enquanto os custos com energia continuaram pressionando as margens das empresas. Mesmo diante de conflitos geopolíticos e tarifas, o setor demonstrou firmeza, impulsionado por um salto expressivo nos pedidos de exportação.
“O crescimento sustentado registrado desde fevereiro traça um quadro encorajador de resiliência para o setor manufatureiro, que tem sido afetado pelos ventos contrários das tarifas e dos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia e, em particular, pelo aumento nos custos e pelas dificuldades de abastecimento que esses fatores causaram.”
Impacto nos juros e custos operacionais
Os gastos operacionais das fábricas aumentaram no ritmo mais intenso dos últimos cinco meses, levando os empresários a repassarem esses valores para os preços de venda. Esse cenário inflacionário eleva as expectativas por novas medidas de aperto monetário por parte do Banco Central Europeu.
“Com a inflação dos custos dos insumos subindo acentuadamente novamente em outubro, atingindo uma das taxas mais altas observadas nos últimos quatro anos devido aos preços mais altos da energia e aos gargalos no abastecimento, os dados mais recentes do PMI aumentam a pressão sobre o BCE para que ele aumente ainda mais as taxas nos próximos meses, representando mais um obstáculo para as empresas”, acrescentou Williamson.
Apesar dos desafios relacionados a prazos de entrega mais longos e ao encarecimento de matérias-primas, as indústrias locais seguiram contratando novos colaboradores pelo terceiro mês consecutivo, enquanto a maioria dos países monitorados apresentou expansão na atividade industrial.








