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Série de TV do Japão vira alvo de ofensiva diplomática da China

Produção “Vivant” perdeu parceria com a dona da Hello Kitty após Pequim acusar a trama de difamação e alimentar tensões geopolíticas.

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A guerra cultural entre China e Japão ganha um novo capítulo na TV

O embate geopolítico entre Pequim e Tóquio atingiu a indústria do entretenimento. O seriado japonês de espionagem Vivant, um dos maiores sucessos recentes da televisão no país vizinho, transformou-se no foco mais recente da indignação de autoridades chinesas, que acusam a obra de promover preconceito e difamação sistemática contra sua imagem internacional.

Acusações de propaganda e danos comerciais

A trama fictícia retrata os desafios de agentes secretos vinculados às Forças Armadas japonesas. No entanto, a segunda temporada provocou fortes atritos ao apresentar uma agência de espionagem chinesa como vilã e incluir cenas de agentes sofrendo tortura. As queixas ganharam força após críticas da televisão estatal CCTV e manifestações formais de Pequim.

Durante coletiva de imprensa, Guo Jiakun, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, criticou a narrativa: “Essa série de televisão revela mais uma vez que existe uma força no Japão que tenta usar produtos culturais para difamar a China e espalhar sentimentos anti-China”.

O desgaste político ultrapassou os limites diplomáticos e gerou prejuízos no mercado. Temendo repercussões negativas na China — responsável por quase US$ 200 milhões em sua receita recente —, a Sanrio suspendeu a linha de produtos licenciados que integrava seus personagens ao seriado. Em nota, a criadora da marca Hello Kitty destacou que “certos conteúdos associados a essa colaboração não estão alinhados com a filosofia corporativa da Sanrio”.

Disputa geopolítica e apoio parlamentar

Por parte da produção, a emissora TBS defende que o enredo é “completamente fictícia”. Reiterando o caráter dramático do programa, Masamine Ryuho, presidente da rede, pontuou que “A principal premissa é que ela não degrada nenhum país em particular”.

O episódio se insere em uma crise diplomática ampliada por declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan. Após a premiê sinalizar que Tóquio poderia responder militarmente diante de uma agressão à ilha democrática, Pequim intensificou sanções não oficiais, incluindo corte na venda de terras raras, controle sobre o fluxo turístico e aumento de patrulhas na região marítima. Crítica severa da China, Takaichi já declarou admiração pública pelo programa e mencionou ter o hábito de gravar os episódios para assisti-los.

Resgate histórico e guerra cognitiva

Além da pressão sobre temas atuais, o governo chinês utiliza o caso para pautar a memória dos conflitos armados do século XX. O jornal oficial do regime, People’s Daily, alegou que o seriado imputa aos chineses “métodos de tortura empregados pelo Exército japonês durante a invasão da China”.

A reação demonstra a relevância dada pelo país à forma como é retratado em produções estrangeiras. Avaliando o cenário, William Chou, especialista em Japão e pesquisador sênior do Hudson Institute, conclui que o sucesso do seriado virou instrumento político: “Os chineses estão procurando pretextos”, disse. “Estão criando razões para alimentar essa indignação, essa guerra cognitiva.”

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