As consultas realizadas por inteligência artificial no Google geram um faturamento menor por busca em comparação ao modelo convencional de navegação. Embora a ferramenta impulsione o volume total de pesquisas realizadas pelos usuários, a Alphabet reconheceu publicamente que a taxa de monetização desse formato ainda é inferior.
Desaceleração na receita de publicidade Durante o balanço financeiro do terceiro trimestre, a companhia informou que o setor de busca e outros anúncios faturou US$ 63,3 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 338,7 bilhões. O avanço de 12% na comparação anual, no entanto, representou uma desaceleração frente aos 17% registrados no trimestre anterior e aos 19% do primeiro período do ano.
Por que as buscas por IA rendem menos? O diretor de negócios Philipp Schindler explicou que parte da diferença está no próprio formato das pesquisas. Muitas das consultas ocorrem em etapas iniciais da decisão de compra, o que significa que nem todas têm uma finalidade comercial.
O comportamento do usuário também influencia diretamente o modelo de negócios. De acordo com o Google, uma consulta no Modo IA tem, em média, três vezes mais palavras que uma busca tradicional. O recurso aceita perguntas complexas e permite continuar a conversa com novas solicitações, funcionando de forma parecida com chatbots como ChatGPT e Gemini, em vez de apenas exibir uma lista de links patrocinados.
Expansão global de anúncios e novos mercados Para solucionar esse descompasso financeiro, a estratégia da corporação consiste em inserir mais publicidade no sistema. Desde maio de 2025, links comerciais são testados nas respostas geradas pela tecnologia.
A expansão dessas propagandas alcançará a Austrália, o Canadá, a Índia e outros sete mercados. No Brasil, no México e no Reino Unido, a publicidade deve chegar até o final de 2026, enquanto os Estados Unidos já testam anúncios durante interações contínuas na mesma conversa.
Desafios financeiros e investimentos em infraestrutura A busca continua sendo uma das principais fontes de recursos da Alphabet, mas a menor rentabilidade da inteligência artificial pressiona os resultados. Os investimentos em infraestrutura atingiram US$ 51,4 bilhões, ultrapassando R$ 275 bilhões no trimestre, o que torna urgente a necessidade de lucrar com as novas ferramentas.
Mesmo diante do desafio econômico, a corporação planeja manter o ritmo de desenvolvimento tecnológico para o próximo ano. A meta central da empresa agora é transformar o aumento no volume de buscas gerado pela inteligência artificial em um negócio tão lucrativo quanto o tradicional mecanismo de pesquisa na web.








