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Lula reeleito: metas para ciência, tecnologia e clima

O novo mandato focará em inteligência artificial, transição energética e soberania digital a partir de 2027.

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Lula é reeleito presidente do Brasil – o que esperar do novo governo para ciência e tecnologia

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu a reeleição para a presidência da República, assegurando mais quatro anos à frente do comando do país. A confirmação matemática da vitória ocorreu por meio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h10 de um domingo, com um total de 98,2% das urnas apuradas.

H2: Soberania digital e inteligência artificial no Brasil A dianteira global na área de inteligência artificial generativa transformou a dinâmica geopolítica e econômica, convertendo a capacidade de processamento computacional em um ativo de soberania. A gestão reeleita planeja ampliar os data centers em solo nacional, tentando reverter o histórico papel brasileiro como exportador de dados brutos e importador de tecnologia.

Embora a matriz elétrica nacional represente um atrativo para a instalação de estruturas de grande porte, a chegada dessas instalações não assegura avanço tecnológico imediato. “A infraestrutura física de nuvem continuará concentrada fora do país se o governo não condicionar o fornecimento energético à instalação de ecossistemas locais de pesquisa e desenvolvimento”, alertou o empresário JB Queiroz Filho.

H3: Regulação e contrapartidas tecnológicas Para evitar que o país ofereça vantagens energéticas sem obter capacitação técnica, o professor Thiago Muniz aponta uma solução alternativa. “Condicionar incentivos fiscais à transferência tecnológica garante que o valor agregado fique retido no mercado interno brasileiro”, afirmou.

Na frente de regulação e fiscalização algorítmica, pesquisadores apontam barreiras operacionais. “A velocidade com que a inteligência artificial evolui torna obsoleta qualquer regulação burocrática convencional”, declarou Lucas Reis. Paralelamente, a criação de modelos próprios em português é defendida por Queiroz Filho como “uma exigência de geopolítica para impedir que dados nacionais alimentem exclusivamente corporações estrangeiras.”

H2: Reindustrialização verde e minerais críticos As diretrizes estratégicas também envolvem a reindustrialização verde com coordenação do Estado, aplicando tecnologias na triagem do SUS e no SINE. Na exploração de minerais críticos e terras raras, o foco reside no processamento nacional. “A proposta atribui ao governo papel central na organização e coordenação da política industrial e da definição de prioridades para as cadeias produtivas completas desses minerais”, pontuou o geólogo Álvaro Penteado Crósta.

O financiamento por meio do BNDES e a atuação de instituições públicas formam a base para impulsionar o setor. A estratégia “define mecanismos e incentivos com financiamento público via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), forte indução de pesquisa e desenvolvimento no país por meio de empresas públicas, pesquisa geológica estatal e forte participação de universidades e institutos de pesquisa brasileiros”, completou Crósta.

Para o neurocientista Álvaro Machado Dias, a barreira principal não reside nos recursos financeiros ou geológicos. “O problema das terras raras não é nem geológico, nem de dinheiro, mas químico. O Brasil tem total capacidade de desenvolvimento técnico para esse tipo de coisa.” O especialista acrescenta que “Essa autonomia envolve você subir a régua do ponto de vista do que você vai produzir interno para que surja a tal da massa crítica, porque senão ela nunca vai subir, nunca vai surgir.”

H2: Desafios climáticos e transição energética Na agenda ambiental, a meta do governo estabelece a redução entre 59% e 67% nas emissões líquidas de gases estufa até 2035, usando 2005 como referência. O plano abrange energias renováveis, biocombustíveis e o combate constante ao desmatamento. O físico Paulo Eduardo Artaxo Netto avaliou o progresso recente: “Tivemos uma redução do desmatamento da Amazônia em 51%, que é um valor extremamente elevado. Nenhum outro país reduziu as suas emissões com a magnitude que o Brasil reduziu.”

Apesar dos avanços, Artaxo pondera que o país esbarra em obstáculos estruturais na transição ecológica. “Agora, nós temos que avançar na questão, por exemplo, da implementação da transição energética, que ainda está realmente engatinhando no Brasil, infelizmente, e é fundamental que o próximo governo Lula efetivamente implemente políticas que façam da transição energética um ponto central da questão climática como um todo.”

O físico também antecipa atritos no âmbito político com o parlamento. “Lula vai ter que enfrentar um congresso dominado pela extrema direita que sempre se opôs a pautas como o combate ao crime organizado e a repressão à grilagem de terras na Amazônia. Isto, certamente, vai trazer dificuldades na implementação de políticas no próximo governo.” O governo recém-eleito precisará articular propostas e conciliar interesses na nova gestão para cumprir as metas estabelecidas.

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