O governo federal anunciou a intensificação das estratégias de contenção aos focos de calor que atingem o território paraense, com foco principal na porção ocidental do estado.
Estratégia de combate
A operação mobiliza 522 brigadistas vinculados ao Ibama e ao ICMBio, além de 41 veículos terrestres e 13 aeronaves. Desse total, seis aviões Air Tractor atuam no lançamento de água e ficam baseados em Santarém.
Os esforços se concentram na área conhecida como Chapadão, situada entre Santarém e Uruará, onde foram contabilizados 62 incêndios florestais próximos a importantes eixos viários, como a rodovia PA 370 e a Transamazônica (BR-230).
Investigação e segurança
Conforme levantamento do Inpe, o território paraense lidera o ranking nacional de ocorrências de fogo, com 321 eventos ativos espalhados por 76 municípios e milhares de focos de calor identificados em uma única semana.
As autoridades apontam que as chamas se concentram majoritariamente em invasões irregulares localizadas em assentamentos da reforma agrária e reservas legais, onde há indícios de manejo inadequado e uso intencional do fogo.
“Acionamos a Força Nacional de Segurança para auxiliar no trabalho dos brigadistas”, disse o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, ao relatar episódios que dificultam a atuação das equipes de campo.
O titular da pasta também comentou sobre a apuração das causas das ocorrências: “Não estamos afirmando que há ocorrência direta [de incêndios criminosos], mas isto está sendo investigado”.
Emergência e recursos
O agravamento da estiagem e das chamas motivou 16 municípios paraenses a decretarem situação de emergência, com outros sete pedidos aguardando validação federal. Altamira foi uma das cidades que adotou a medida nas zonas urbana, rural e ribeirinha.
Para dar suporte financeiro a essas demandas, a gestão federal encaminhou ao Congresso Nacional a Medida Provisória 1398/26, que destina um crédito extraordinário de R$ 300 milhões no Orçamento para atuação da Defesa Civil na Amazônia.
A escassez de chuvas, agravada pelos impactos do fenômeno El Niño, reduziu drasticamente a capacidade de resposta das administrações municipais, tornando imprescindível a intervenção federal.
“Estamos trabalhando nas ações preventivas em relação a esse fenômeno que vem tornando nossas florestas mais suscetíveis a incêndios desde 2024”, disse o ministro.







