A forte recuperação da Bolsa brasileira desde o início de outubro está redesenhando as perspectivas para o setor de bens de capital. Em relatório divulgado nesta semana, os analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, da XP, avaliam que empresas mais ligadas ao ciclo doméstico e ao mercado interno tendem a ser as principais beneficiadas pela melhora das expectativas para a economia brasileira, enquanto exportadoras como WEG (WEGE3) e Embraer (EMBJ3) ficam relativamente menos favorecidas.
O Ibovespa acumula alta de cerca de 11% no mês, movimento que, segundo a XP, pode ser explicado por quatro fatores principais: a compressão dos juros de longo prazo, a valorização do real, a expectativa de despesas financeiras menores com uma trajetória mais baixa para a Selic e uma melhora do cenário macroeconômico para companhias mais cíclicas.
Para medir quais empresas são mais sensíveis a essas mudanças, a XP criou um modelo quantitativo que avalia os impactos sobre lucros e fluxo de caixa. O resultado apontou a Randoncorp (RAPT4) como a companhia com maior exposição positiva a um cenário de melhora da economia doméstica, seguida pela Kepler Weber (KEPL3).
Apostas no “trade Brasil”
Segundo os analistas, as ações ligadas ao mercado interno avançaram, em média, cerca de 20% desde a melhora da percepção dos investidores sobre o Brasil. A Randoncorp (RAPT4) foi o principal destaque, com valorização próxima de 60% em outubro.
Na visão da XP, o mercado não está mais precificando apenas o benefício direto da queda dos juros, mas também uma recuperação mais ampla da atividade econômica. Caso as projeções para o crescimento brasileiro sigam melhorando e os juros continuem recuando, novas revisões positivas para os lucros dessas empresas ainda podem ocorrer.
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Embora mantenha recomendação neutra para Randoncorp, Marcopolo (POMO4) e Kepler Weber, a corretora considera a Randoncorp a empresa mais exposta a uma eventual continuidade do ciclo de recuperação doméstica, especialmente por atuar em setores que seguem abaixo dos níveis históricos de atividade.
Exportadoras perdem espaço
No outro extremo, a XP vê exportadoras como as menos beneficiadas pelo atual momento do mercado brasileiro. A avaliação é que empresas com receitas fortemente dolarizadas tendem a sofrer em um ambiente de valorização do real e de maior otimismo em relação à economia doméstica. Por isso, WEG e Embraer aparecem entre os nomes com menor exposição positiva ao chamado “trade Brasil”.
Ainda assim, os analistas consideram que a WEG está em posição relativamente melhor do que a Embraer por ter maior participação do mercado brasileiro em seus negócios e por poder se beneficiar caso haja redução das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com eventual diminuição de tarifas.
Embraer segue preferida
Apesar da menor exposição ao cenário doméstico, a Embraer continua sendo uma das principais recomendações da XP para o setor.
Segundo a casa, a companhia oferece uma relação risco-retorno atrativa graças à forte visibilidade de crescimento dos resultados, independentemente do cenário macroeconômico brasileiro.
A XP também mantém visão positiva sobre a Tupy (TUPY3), argumentando que a empresa ainda apresenta uma assimetria favorável de valor, impulsionada pela melhora dos resultados nos Estados Unidos e pelo potencial de recuperação da atividade no Brasil.
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Já em relação à WEG, a corretora continua enxergando uma trajetória sólida de crescimento dos lucros, mas considera que o prêmio de valuation da companhia segue elevado quando comparado ao de empresas globais do setor. Após a recente correção das ações, no entanto, essa diferença teria ficado mais equilibrada.
Assim, a leitura da XP é que a próxima etapa do rali da Bolsa brasileira tende a favorecer principalmente empresas alavancadas à atividade doméstica, enquanto exportadoras devem continuar dependendo mais de seus fundamentos específicos do que da melhora do cenário macroeconômico local.







