O ano letivo de 2026 está prestes a terminar sem que os quase 14,5 mil estudantes da rede municipal de ensino de Paranaguá tenham recebido os novos uniformes escolares prometidos. A Prefeitura confirmou que os kits com roupas de verão e inverno, calçados e mochilas só serão distribuídos no início de 2027.
Detalhes da compra milionária Dados do Portal da Transparência mostram que o processo começou em maio com o Pregão Eletrônico nº 24/2026. O investimento total de R$ 9,14 milhões representa um aumento de 62,3% em comparação aos R$ 5,63 milhões gastos no ano anterior para atender 14.189 alunos. A nova aquisição engloba dezenas de milhares de peças de vestuário, além de calçados e mochilas divididos entre quatro empresas vencedoras.
Reclamações das famílias Pais e responsáveis apontam dificuldades financeiras devido à falta de peças completas para o ano letivo. O relato feito ao JB Litoral é da mãe de uma aluna da Escola Municipal Profª. Edinéa Marize Marques Garcia, no Jardim Samambaia, em Paranaguá: “O uniforme de inverno do ano passado já está curto. Mesmo assim, nos dias mais frios eu alternava o uniforme com outras roupas. Esse ano ela só recebeu a camiseta curta e a bermuda, junto com o material escolar na mochila, nada mais”.
A mãe, que prefere não ter o nome divulgado, também contou que a expectativa era alta para receber o restante do kit prometido pela Prefeitura, que deveria conter uniforme de inverno, meias e tênis.
“A gente esperou que fosse igual no ano passado, que veio tudo uma peça de cada e duas camisetas. Mas em 2026 só entregaram uma camiseta verde e uma bermuda”, disse.
Outra mãe, com três filhos na rede municipal, destacou que a ausência das roupas completas aumenta os gastos domésticos. “Em 2025 veio tudo, casaco, duas camisetas, calça, shorts, agora esperamos e não veio. Fica muito complicado, com três crianças, duas com Transtorno do Espectro Autista, então suja bastante roupa, sem os uniformes as despesas aumentam”, lamentou.
Posicionamento oficial Questionada sobre os atrasos e os quantitativos, a Administração Municipal não respondeu diretamente aos questionamentos e enviou nota padrão. “A aquisição segue critérios rigorosos para garantir a qualidade dos uniformes oferecidos aos alunos. Cada estudante receberá um kit completo, contemplando peças de verão e de inverno.”
Fiscalização e investigação A vereadora Tenile Xavier criticou o avanço nos custos e prometeu rigor na fiscalização do contrato. “Nos anos anteriores, os valores foram menores. Por isso, considero que o investimento exige uma análise ainda mais criteriosa e uma justificativa clara, levando em conta os itens e as quantidades previstas. Defendo que a compra atenda às necessidades dos estudantes, garantindo qualidade e buscando sempre os menores preços, com total transparência”, afirmou.
A parlamentar também chama a atenção para as reclamações sobre a falta de peças e defende que o planejamento considere aspectos básicos que impactam diretamente a qualidade de vida de milhares de famílias: as matrículas atualizadas, os tamanhos dos alunos e a necessidade de reposição. “Pelas reclamações que recebemos, aparentemente não há estoque para atender à demanda atualmente”, declarou.
Tenile destacou ainda a importância de organizar o cronograma de distribuição para atender às necessidades dos estudantes em tempo hábil. “As roupas de inverno precisam chegar antes do frio, por exemplo. Também é necessário conferir a qualidade e os tamanhos recebidos e organizar um procedimento simples de troca porque não basta entregar, também é preciso garantir que a criança consiga usar aquilo que recebeu.”
Como vereadora, ela afirmou que pretende acompanhar o processo licitatório e a execução do contrato. “Vou solicitar os documentos que fundamentam os quantitativos e os preços, analisar o resultado da licitação e acompanhar a execução do contrato”, disse Tenile.
Investigação paralela no TCE-PR Enquanto isso, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná analisa possíveis falhas em outra licitação de material escolar deste ano, focando em exigências restritivas e planejamento. A Prefeitura defende a legalidade dos processos e aponta competitividade nos certames.
Expectativa de expansão Para o próximo ciclo, a rede municipal projeta saltar para 16 mil matrículas, com ampliação de vagas na Educação Infantil e em tempo integral, enquanto as famílias aguardam a regularização na entrega dos insumos básicos.







