Uma força-tarefa formada por pessoas privadas de liberdade foi mobilizada para acelerar as obras de reparo e recuperação de prédios públicos e instituições de ensino em Laranjeiras do Sul, no centro do Paraná. Os trabalhos concentram esforços em sanar os estragos provocados por um severo vendaval que castigou a cidade recentemente.
Estragos provocados pelo vendaval e atuação emergencial
O temporal registrado no dia 4 de outubro atingiu o município com rajadas de vento que alcançaram a marca de 124 km/h. O fenômeno climático deixou um rastro de destruição: ao menos 852 residências foram danificadas, quedas de árvores bloquearam o tráfego, moradores enfrentaram quatro dias consecutivos sem fornecimento de energia elétrica e as atividades escolares precisaram ser paralisadas em razão dos danos estruturais.
Diante do cenário crítico, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná organizou a participação de 27 detentos para dar suporte à reconstrução urbana e predial do município. De acordo com o órgão:
“A força-tarefa atuou na desobstrução e retirada de entulhos de vias, no corte e remoção de árvores e galhos com risco de queda, além de serviços gerais de manutenção urbana. A força de trabalho contou com apoio direto da Cadeia Pública de Laranjeiras do Sul e do Programa Mãos Amigas, que trouxe 12 apenados da base do projeto em Guarapuava e três locais para o suporte emergencial. Foram somados ainda seis apenados de convênio com a prefeitura e outros seis integrados à rotina da unidade penal”.
Escolas atendidas e remição de pena pelo trabalho
Atualmente, as frentes de trabalho priorizam o restauro de oito instituições educacionais locais. Entre os estabelecimentos beneficiados estão o CMEI Adelina Dutra Boeira, a Associação de Pais e Mestres (APM) da Escola Municipal Teotônio Vilela, os Colégios Estaduais Cívico-Militares Érico Veríssimo e Professor Gildo Aluísio Schuck, além das Escolas Municipais Valdemar Boeira, Therezinha Maria Moretto Andretta, Padre Gerson Galvino e Água Verde.
A iniciativa está vinculada ao programa Mãos Amigas, projeto que prevê a remição de pena na proporção de um dia a menos de condenação para cada três dias de trabalho executado. Em 2025, a iniciativa já soma mais de dois mil serviços prestados em 427 escolas paranaenses.
Para o chefe da Divisão de Produção e Desenvolvimento da Polícia Penal do Paraná (PPPR), Boanerges Silvestre Boeno Filho, o trabalho agiliza o retorno das aulas.
“A ação evidencia o papel fundamental da reintegração social e demonstra à sociedade o valor do trabalho prisional como instrumento de reparação e utilidade pública, garantindo aos custodiados uma oportunidade real de recomeço”, explica.
O coordenador regional da PPPR em Guarapuava, Anderson Uchack, avalia que a parceria traz benefícios mútuos para a comunidade e para os apenados.
“Toda a sociedade local sai ganhando com essa cooperação entre a PPPR e a prefeitura. Para o custodiado, o benefício é bastante significativo, pois ele é inserido no mercado de trabalho e recebe remição de pena, reduzindo um dia a cada três trabalhados, o que contribui diretamente para sua reintegração social”, afirma.
A união entre a mão de obra prisional e a administração pública tem sido fundamental para reestabelecer o atendimento regular aos estudantes e recompor a infraestrutura das áreas mais atingidas da cidade.







