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Padre Fábio de Melo abre o jogo sobre luta diária contra depressão

Religioso participou de programa televisivo para detalhar os desafios do tratamento e a convivência com a doença.

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Padre Fábio de Melo faz desabafo sensível sobre depressão crônica e revela luta diária: “Nunca acordei feliz” Padre Fábio de Melo faz desabafo sensível sobre depressão crônica e revela luta diária: “Nunca acordei feliz”

O sacerdote Fábio de Melo abriu o coração durante sua participação no programa “Sem Censura”, exibido na última quarta-feira (14), para falar abertamente sobre a depressão crônica que enfrenta há oito anos. Durante a conversa com a apresentadora Cissa Guimarães, ele detalhou como a condição impacta sua rotina e destacou a relevância de buscar ajuda médica, mencionando que precisou passar por ajustes na dosagem dos remédios até encontrar o equilíbrio ideal.

O início dos sintomas e a rotina de instabilidade

De acordo com o religioso, os sinais da doença manifestaram-se muito antes de ele tornar o diagnóstico público em 2018, período que sucedeu uma crise intensa. “Desde que me entendo por gente, eu nunca acordei feliz. Eu posso estar no melhor lugar do mundo, eu não acordo feliz”, declarou.

O padre também associou sua condição à sua sensibilidade artística e ponderou sobre as oscilações de humor que enfrenta diariamente. “É meu, é uma sombra que eu levo. E eu acredito que a sombra seja o lado positivo da minha creatividade. É isso que me faz ter a sensibilidade que eu tenho. Eu não sou uma pessoa eufórica. Eu acordo triste, eu acordo desanimado”, elaborou, acrescentando: “Tudo aquilo que eu decidi à noite, que eu estava superfeliz, no outro dia eu amanheço arrependido”.

Desafios com a medicação

Relembrando os primeiros anos do tratamento psiquiátrico, o sacerdote comentou sobre uma fase em que fazia uso de doses mais elevadas de substâncias controladas. “Quando eu tomava muitos remédios, eu ficava ótimo, pros outros. Eu era a melhor pessoa do mundo. Eu já acordava felizinho, eu não tinha conflito, mas também não tinha nenhum processo humano em ebulição que me ajudasse a ser quem eu sou. Eu era uma pessoa que correspondia aos comandos. E eu não quero isso”, relatou.

Apesar de conviver com o peso da doença, ele ressaltou que mantém uma relação equilibrada com sua própria existência e com as pessoas ao seu redor. “Embora eu não tenha essa felicidade todo dia, abrindo as portas do meu quarto e inundando de sol e alegria a minha vida, eu eu tenho uma relação muito saudável com a vida. Eu não tenho vícios, eu não me considero uma pessoa chata. Eu sou uma pessoa difícil pra mim, eu sou pesado pra mim. Eu não quero ser para os outros”, completou.

Histórico de superação

Conhecido por discutir publicamente temas relacionados à saúde mental, como a síndrome do pânico e episódios depressivos, o sacerdote já havia emocionado o público em ocasiões anteriores. Durante um evento realizado na Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, no ano anterior, ele compartilhou momentos de extrema vulnerabilidade com os fiéis. “Quero abrir meu coração. Ao longo dessas duas últimas semanas, a depressão tomou conta de mim de novo. E nessas duas últimas semanas, eu só tenho um pensamento nessa vida: a vontade de deixar de viver”, compartilhou, visibly emocionado.

Ainda assim, o religioso reforçou sua resiliência e a importância da fé para superar os momentos mais sombrios da condição psiquiátrica. “Mas eu não estou sozinho nessa vida. Eu sei que o Senhor está em mim e eu sei que não vou desistir. […] Eu proclamo hoje que estou nascendo de novo e que esse é o primeiro minuto da minha nova vida”, declarou.

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