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Criador de perfil falso com inteligência artificial confessa medo

Responsável por criar a personagem Jessica Oliveira afirma que o objetivo da conta era exclusivamente comercial.

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Criador de perfil de IA que fez homem viajar mais de 2 mil km se pronuncia e confessa medo; ouça Homem viaja mais de 2 mil km para encontrar pretendente virtual e descobre que ela foi criada por IA. (Foto: Reprodução; T1kT0k/ Unsplash)

O criador da personagem gerada por inteligência artificial que motivou um homem a cruzar mais de 2 mil quilômetros em busca de um romance veio a público para esclarecer o caso e revelou estar assustado com a repercussão nacional.

A origem da personagem virtual O autor do perfil, que preferiu manter o anonimato e conversou com a imprensa por meio de uma rede social, relatou que a conta foi estruturada em 2025 com o propósito de atrair potenciais compradores para mercadorias anunciadas online, funcionando como uma fonte de renda complementar.

A repercussão do caso envolvendo o morador do Maranhão A história ganhou enorme proporção após envolver Edimar Rocha Martins, morador de Imperatriz, no Maranhão, que se deslocou até Belo Horizonte, em Minas Gerais, na tentativa de encontrar a pretendente digital. O idealizador da conta tomou conhecimento do episódio por meio de vídeos publicados na internet.

“Eu quero deixar bem claro que esse perfil nunca mandou mensagem para ninguém, nunca chamou ninguém para ir para Belo Horizonte. Ele só foi criado com o intuito de fazer vendas. Depois que esse perfil parou de me gerar renda, depois que eu aprendi mais sobre inteligência artificial, eu parei de fazer e fui para outros ramos da internet”, explicou o homem.

A desativação do perfil e o impacto A conta em questão acumulava mais de 300 mil seguidores em uma plataforma de vídeos, exibindo uma mulher que se dizia viúva e utilizava bordões românticos. O perfil acabou sendo desativado após o escândalo vir à tona.

“Esse perfil estava praticamente parado. Eu publiquei um vídeo agora, dia 1º de outubro, que foi sobre o TikTok Shop. Só que eu abandonei de novo”, disse, confessando a surpresa que teve ao descobrir o que havia acontecido. “De novo, eu quero deixar bem claro que eu não troquei mensagem com ninguém, nunca falei para ninguém mandar dinheiro”, defendeu-se.

Alerta sobre os perigos da tecnologia O criador aproveitou o momento para deixar um aviso severo à sociedade sobre os riscos inerentes ao uso de ferramentas tecnológicas avançadas para enganar pessoas na internet.

“Da mesma forma que eu uso isso, a inteligência artificial, para fazer vendas e ganhar uma renda, com certeza também há pessoas que usam isso para o mal. Então, eu quero deixar bem claro para as pessoas procurarem entender um pouco e ver se é verdadeiro ou não, se a pessoa mandou mensagem diretamente ou não, antes de fazer qualquer viagem igual esse rapaz fez”, aconselhou.

O homem ainda disse que recebeu mensagens que questionavam o motivo dele ter privado os vídeos. “Foi exatamente por isso, porque eu não uso mais esses vídeos, eu não uso mais essa conta. Eu tenho acesso a ela, mas eu não uso ela frequentemente. Como ela não me gera renda, eu não vejo sentido em continuar. Os vídeos ainda estão disponíveis, só que eu privei exatamente para as pessoas que usam isso para o mal”, justificou.

O medo após a exposição Mesmo negando intenções criminosas, o responsável admitiu o receio diante da forte repercussão que o caso tomou nos principais portais de notícias do país.

“Esses vídeos nunca foram feitos para causar esse tipo de transtorno na vida de ninguém. Os vídeos foram um gancho para chamar atenção, [para que] depois que eu conseguisse um público, começasse a postar vídeos sobre vendas”, completou.

A posição oficial das autoridades policiais A Polícia Civil de Minas Gerais esclareceu que a simples criação de figuras fictícias por meio de tecnologia não configura crime por si só, mas advertiu que os autores podem sofrer consequências legais caso utilizem tais artifícios para aplicar fraudes ou obter vantagens indevidas.

A corporação salientou que, em situações envolvendo relacionamentos virtuais, a conduta pode caracterizar crimes como estelionato e fraude eletrônica “caso estejam presentes os requisitos legais, especialmente a obtenção de vantagem ilícita mediante fraude e o prejuízo patrimonial da vítima”.

Até o momento, a instituição policial confirmou a inexistência de boletins de ocorrência abertos especificamente por parte do viajante envolvido na situação.

A PCMG ainda destacou que não há registros de ocorrência relacionados ao caso de Edimar. “Dessa forma, não é possível afirmar, neste momento, que tenha ocorrido crime, tampouco apontar eventuais responsáveis, uma vez que a caracterização de infração penal depende da análise dos elementos concretos e da existência de indícios de conduta tipificada na legislação”, declarou.

Orientações de segurança contra golpes virtuais Para evitar cair em fraudes semelhantes envolvendo identidades falsas ou perfis automatizados, as autoridades recomendam adotar medidas rigorosas de verificação antes de qualquer compromisso físico ou financeiro.

Desconfiar de perfis que evitem encontros presenciais ou verificações de identidade por videochamada; Não realizar transferências bancárias, pagamentos ou empréstimos a pessoas conhecidas exclusivamente pela internet; Verificar a autenticidade de fotografias e perfis, inclusive por meio de pesquisas reversas de imagens, lembrando que esses procedimentos não garantem a identificação de conteúdos gerados por inteligência artificial; Evitar o compartilhamento de documentos pessoais, dados bancários e imagens íntimas com desconhecidos; Antes de realizar viagens ou assumir compromissos financeiros motivados por relacionamentos virtuais, buscar confirmar a identidade e a veracidade das informações fornecidas; Em caso de suspeita de golpe, preservar mensagens, comprovantes, perfis, números de telefone e demais evidências digitais, além de registrar ocorrência policial.

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