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Garoto reconhece sinal de socorro e salva prima em Curitiba

Suspeito de 54 anos usava tornozeleira eletrônica e acabou preso em flagrante por tentativa de estupro de vulnerável

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‘Eu sabia pela TV e pela avó ensinar’, diz menino de 10 anos que reconheceu sinal de socorro e ajudou a salvar prima de tentativa de estupro em Curitiba

A percepção rápida de um garoto de 10 anos evitou que a prima, de apenas 9, fosse vítima de um crime grave no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. Ao notar que a parente fazia discretamente o sinal universal de pedido de socorro enquanto era conduzida à força por um desconhecido, o menino correu até um estabelecimento comercial das proximidades e acionou populares.

Abordagem a caminho do colégio

O episódio ocorreu na manhã de uma sexta-feira (9), momento em que as crianças caminhavam em direção à escola. Durante o trajeto, um homem de 54 anos abordou a garota e ofereceu dinheiro para que ela o acompanhasse. Diante da negativa da vítima, o agressor segurou o braço dela contra a sua vontade e começou a arrastá-la pela via pública.

Com medo de gritar, a criança utilizou o gesto que aprendeu para situações de perigo: posicionou o polegar na palma da mão e dobrou os outros quatro dedos sobre ele. A atitude foi imediatamente identificada pelo primo.

Eu sabia [do sinal] pela TV e pela avó ensinar. Ela falou que, quando nós estivermos em perigo, é só fazer o sinal que daí as pessoas ajudam, detalha a menina.

Mobilização em posto de combustíveis e prisão

Ao entender a gravidade do momento, o estudante disparou até um posto de combustíveis vizinho para alertar trabalhadores e clientes que estavam no local.

Eu cheguei falando que o homem estava tentando roubar a minha prima. Eles já levaram a sério, lembra o menino.

Câmeras do circuito de monitoramento flagraram a correria do menino e a chegada do suspeito com a garota. Quando os frentistas e frequentadores tentaram intervir e cercar o agressor, ele fugiu a pé. Contudo, os funcionários avistaram uma equipe da Guarda Municipal que patrulhava a região e relataram a ocorrência. Os agentes detiveram o homem em flagrante por tentativa de estupro de vulnerável. Ele já cumpria pena monitorado por tornozeleira eletrônica desde 2017 pelo mesmo delito.

Conversas em família foram decisivas

A atitude das duas crianças foi reflexo de orientações constantes recebidas dentro de casa, reforçadas por conteúdos educativos vistos na televisão.

Eu sempre ensino para eles, para que, quando eles saírem na rua, eles prestem atenção, nunca fiquem muito perto das pessoas, não conversem com estranhos, não aceitem doce, dinheiro…, contou a avó dos jovens.

A familiar destacou que usava coberturas jornalísticas para instruir os netos sobre autoproteção. Quando passava na televisão, eu falava: ‘Isso serve para vocês também. Qualquer perigo que você estiver, assim que puder pedir ajuda, faz assim com a mão. Quem conhecer esse sinal vai saber que vocês estão precisando de ajuda’, detalha a avó.

Origem do gesto universal

O gesto silencioso foi idealizado no Canadá em abril de 2020 por uma agência de comunicação, com o objetivo de frear o avanço da violência doméstica durante o isolamento social da pandemia. A proposta era fornecer um mecanismo discreto para que mulheres e crianças pedissem auxílio sem alertar os agressores.

Caso alguém presencie o sinal sendo feito na rua ou em ambientes fechados, especialistas orientam tentar uma aproximação sutil, conduzindo a pessoa para um comércio seguro ou acionando imediatamente as forças policiais pelo telefone de emergência.

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