O presidente da Câmara de Vereadores, Yuri Osaki (União), assumiu interinamente o cargo de prefeito de Antonina na última sexta-feira (9). A posse ocorreu durante uma sessão solene na Casa de Leis, atendendo a uma ordem da Justiça Eleitoral emitida pelo juiz Jonathan Cheong, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar os mandatos da prefeita Rozane Osaki (PSD) e do vice-prefeito Diogo Machado (PL) duas semanas antes.
Mudanças na estrutura legislativa A condução da sessão solene ficou a cargo do então vice-presidente do Legislativo, Valmir Godoi (PL), que assumiu a presidência da Câmara com a ida de Yuri para a prefeitura.
Para preencher a vaga deixada no Legislativo municipal, o suplente Hélio de Freitas Castro (União), conhecido como Hélio da Pesca e que obteve 318 votos no pleito de 2024, assumiu a cadeira de vereador.
Discursos e posicionamentos oficiais Durante sua fala na tribuna, o novo gestor interino comentou sobre a determinação judicial cumprida pelo município.
“Por uma decisão judicial que respeitamos institucionalmente, embora dela possamos discordar profundamente, seu mandato [se referindo à Rozane] é interrompido. E falo aqui também como filho: considero profundamente injusto aquilo que aconteceu com minha mãe”, disse Yuri Osaki.
O prefeito também abordou os motivos que levaram à sanção aplicada pela Justiça Eleitoral.
“Rozane não deixa a Prefeitura acusada de ter colocado um centavo do dinheiro público no bolso, porque tenha enriquecido com o cargo, abandonado sua cidade ou por ter fugido de suas responsabilidades. A controvérsia que resultou na cassação nasceu de uma política pública que assegurou à população de Antonina um benefício de mobilidade sem custo para quem dele precisava”, pontuou.
Foco na gestão e novas eleições Yuri Osaki permanecerá no cargo municipal até que ocorram eleições suplementares, cuja data ainda será definida pelo tribunal competente. O político projetou sua linha de atuação administrativa.
“Assumo esta função consciente da sua dimensão, dos seus limites e, principalmente, dos meus devedores. Não estou aqui para perseguir ninguém, para promover vinganças […]. Estou aqui para trabalhar. E cada decisão que eu tomar terá que responder a uma pergunta muito simples: Isso é bom para Antonina? Se for bom para Antonina, terá de nossa parte disposição para fazer”, completou.
Valmir Godoi também comentou sobre o início de sua gestão à frente do Legislativo e a expectativa em relação ao colega na Prefeitura.
“Sempre tem alguma mudança em relação ao trabalho, alguns comportamentos, mas o trabalho tem que seguir, temos que ir em frente para que todos fiquem satisfeitos com o que vai ser realizado durante o tempo que eu estiver aqui”, disse Valmir, em entrevista ao JB Litoral.
O parlamentar acrescentou sobre a união entre os poderes: “Um trabalho de união, para que todos se sintam seguros diante do compromisso que é prestar um serviço à população e à Câmara Municipal. E agora que começa um novo ciclo, um novo trabalho, eu acredito que ele [Yuri] vai fazer um bom trabalho”, declarou Valmir.
Origem do processo judicial A cassação decidida pela Corte superior ocorreu por maioria de votos, seguindo o entendimento do relator Floriano de Azevedo Marques, com divergência parcial da ministra Estela Aranha. O processo teve origem na implantação do programa Tarifa Zero no transporte coletivo local em junho de 2024, durante a administração do ex-prefeito José Paulo Vieira Azim (PSD), conhecido como Zé Paulo.
A gratuidade integral substituiu a cobrança anterior de R$ 5, mas o Ministério Público Eleitoral questionou a iniciativa por ter sido implementada em período eleitoral. Com a decisão, Zé Paulo foi declarado inelegível e tanto ele quanto Rozane receberam multas individuais de 50 mil UFIRs, equivalentes a R$ 53.205,00. Após idas e vindas nas instâncias regionais, o TSE restabeleceu a punição aos mandatos.







