O conflito na Ucrânia impulsionou drasticamente a indústria internacional de robôs e veículos aéreos não tripulados, mas o setor carece de demanda suficiente para absorver a imensa quantidade de novas empresas que surgiram recentemente. A constatação é de Julian Humml, pesquisador e professor do Centro de Sistemas e Tecnologias Autônomas do Instituto de Tecnologia da Califórnia.
Crescimento acelerado na Ucrânia Desde a deflagração da guerra entre russos e ucranianos em 2022, o interesse por tecnologias autônomas disparou, gerando centenas de negócios voltados à fabricação de drones, cães robóticos e robôs humanoides.
Dados do Ministério de Defesa da Ucrânia ilustram esse salto produtivo: a fabricação passou de pouco mais de 1.000 unidades em 2022 para 2,2 milhões em 2024, alcançando 3 milhões em 2025. A projeção é encerrar o ano atual com mais de 7 milhões de equipamentos fabricados. Atualmente, o país abriga mais de 500 companhias produtoras, sendo que de 40 a 50 são consideradas líderes de mercado.
Desafios de inteligência e autonomia Apesar da alta escala de produção, o analista aponta que muitos projetos enfrentam barreiras de inteligência que dificultam a integração dos sistemas em cenários reais. A comunicação das frotas também sofre com o bloqueio intencional de sinais, tática constante nas frentes de batalha.
O debate sobre o uso de armas autônomas ganhou urgência internacional após um ataque em julho, revelado meses depois, no qual um equipamento russo guiado por inteligência artificial matou três civis ucranianos após escolher o alvo sozinho. O caso motivou a ONU a pedir limites globais para armamentos autônomos.
Aplicações civis em resgates e emergências Enquanto o setor militar lida com o escrutínio ético, laboratórios buscam soluções para salvar vidas. Na divisão de drones do Cast, equipes desenvolvem tecnologias voltadas ao atendimento de emergências, com previsão de uso em resgates de terremotos e incêndios nos próximos anos.
Entre as inovações estão protótipos de drones ambulância, robôs terrestres, humanoides e o Rover M4, um modelo multimodal capaz de alternar entre voo e solo conforme a necessidade da missão, economizando bateria e superando escombros.
Para que essas frotas heterogêneas atuem em conjunto com equipes de bombeiros e socorristas, o pesquisador destaca que o principal foco científico é o desenvolvimento de uma inteligência artificial central capaz de comandar e sincronizar os equipamentos em tempo real.







