O deputado estadual Douglas Ruas (PL), de 37 anos, caminha para vencer a disputa pelo governo do Rio de Janeiro logo no primeiro turno das eleições de 2026, alcançando 50,89% dos votos válidos. A reviravolta ocorreu após o ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) desistir de recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral contra a rejeição de sua candidatura.
Anulação de votos e o impacto na disputa
Durante sessão realizada em uma quinta-feira (8.out), o TSE determinou a anulação dos votos recebidos por Garotinho por 5 votos a 2. Com a exclusão das marcações brancas e nulas, Ruas superou a barreira de 50% necessária para liquidar a fatura na primeira etapa. O ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) terminou na segunda colocação, somando 42,85% dos votos válidos após a recontagem.
Garotinho havia conquistado 274.411 votos no dia 4 de outubro, o equivalente a 3,17% do total válido. Antes de o recurso ser abandonado, o parlamentar do PL já havia cobrado agilidade da Justiça eleitoral para definir a situação jurídica do adversário.
“A gente vai aguardar com muita tranquilidade. Confiamos na Justiça, na sua decisão breve para que se possa chegar a uma conclusão o mais rápido possível”, declarou aos jornalistas no domingo (4.out).
Consequências políticas para o cenário nacional
O resultado no Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país — atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais —, traz reflexos diretos para a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Sem a presença de Paes no páreo final, o petista perde um importante palanque regional, visto que Douglas Ruas é aliado de Flávio Bolsonaro (PL), cujo grupo saiu na frente na corrida presidencial no território fluminense.
Perfil e trajetória de Douglas Ruas
Nascido em 17 de janeiro de 1989 na cidade de São Gonçalo, na Região Metropolitana, Douglas Ruas dos Santos é formado em Direito, possui pós-graduação em Gestão Pública e é policial civil concursado do estado. Ele é filho do prefeito gonçalense, Capitão Nelson (PL).
Sua carreira na administração pública começou como subsecretário de Trabalho em São Gonçalo entre 2017 e 2018. Na sequência, comandou a superintendência regional do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) de 2019 a 2020, além de liderar a Secretaria Municipal de Gestão Integrada e Projetos Esportivos de 2021 a 2022.
No pleito de 2022, elegeu-se deputado estadual com 175.977 votos, conquistando a segunda maior marca para a Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) naquele ano. Licenciou-se em setembro de 2023 para assumir a Secretaria Estadual das Cidades na gestão de Cláudio Castro (PL), cargo que ocupou até março de 2026 para se viabilizar na disputa majoritária. No mês seguinte, assumiu a presidência da Alerj. Sua chapa ao governo contou com Fernanda Louback (PL) como candidata a vice, sob a coligação Rio Real.
Entenda o caso envolvendo Garotinho
O registro de candidatura de Anthony Garotinho foi barrado pelo TRE-RJ (Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro) devido a uma condenação por improbidade administrativa datada de 2018. A Justiça entendeu que o ex-secretário estadual de Governo integrou um esquema responsável pelo desvio de R$ 234,4 milhões da Secretaria Estadual de Saúde entre 2005 e 2006, durante a administração de Rosinha Garotinho.
Embora o ministro Floriano de Azevedo Marques tenha concedido uma liminar para manter o político na disputa temporariamente, o magistrado revogou a decisão em 2 de outubro, logo após o TRE-RJ confirmar o indeferimento e determinar o registro dos votos como “anulados sub judice”.







